Diário de São Paulo
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EUA prometem US$ 1,18 bilhão para aliviar fome na África e pede adesão de outros países

Chefe de ajuda externa dos EUA destacou guerra da Ucrânia e mudanças climáticas como potencializadores do problema

Imagem: Nicholas Kamm | Reprodução | Grupo Bom Dia
Imagem: Nicholas Kamm | Reprodução | Grupo Bom Dia

Publicado em 19/07/2022, às 08h38 G1


A chefe de ajuda externa dos Estados Unidos, Samantha Power, prometeu nesta segunda-feira (18) US$ 1,18 bilhão de apoio para aliviar a fome no Chifre da África e instou outros países, incluindo a China, a fazer mais para combater a crise alimentar agravada pela invasão russa da Ucrânia.
"Hoje estamos enfrentando algo ainda mais devastador, pois não apenas dezenas de milhões de pessoas enfrentam uma fome tão severa, mas muitas delas correm o risco de passar fome", analisou a norte-americana.
A chefe da Agência dos Estados Unidos para o Desenvolvimento Internacional (USAID) disse que a situação é particularmente ruim no chamado Chifre da África, que compreende Somália, Etiópia e Quênia.
Isso porque a região deve sofrer sua quinta seca consecutiva no final deste ano, algo que não era visto há ao menos quatro décadas. Ao anunciar uma visita ao Chifre da África neste fim de semana, Power disse que pelo menos 1.103 crianças morreram pela fome e outras sete milhões estão gravemente desnutridas.
Os US$ 1,18 bilhão em ajuda dos EUA incluiriam alimentos de emergência, em particular sorgo, um grão usado na região cuja disponibilidade é maior que a do trigo, bem como um suplemento à base de amendoim para crianças desnutridas e serviços veterinários para animais moribundos.
"Agora precisamos que outros façam mais, antes que a fome cresça, antes que milhões de crianças se encontrem no fio da navalha", disse.
A norte-americana mencionou a disparada no preço dos alimentos desde o início da guerra na Ucrânia, que abalou o cenário internacional, já que o país é um grande exportador de trigo. Power criticou as políticas da Rússia, classificando-as como "sinistras", e culpou a China, vista pelos EUA como um concorrente global, por suas restrições comerciais de fertilizantes e "armazenamento" de grãos.
Embora Washington veja a Índia como potencial aliada, Power criticou o país por se posicionar ao lado da Rússia ao impor proibições à exportação de trigo.
A questão da fome no Chifre da África piorou consideravelmente nos últimos meses. Segundo dados disponibilizados em junho pela Organização das Nações Unidas (ONU), o número de crianças da região que enfrentam desnutrição aguda grave aumentou mais de 15% no espaço de cinco meses.
Quanto à Indonésia, que cancelou a taxa de exportação para os produtos de óleo de palma temporariamente visando aumentar as exportações e aliviar o alto estoque, os comentários foram favoráveis. "Os países que ficaram de fora desta guerra não devem ficar de fora desta crise alimentar global", concluiu Power.

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