Ainda em fase de protótipo, a tecnologia promete ser uma alternativa menos dolorosa

Jair Viana Publicado em 03/05/2025, às 13h13
Um novo dispositivo para exames das mamas, que utiliza micro-ondas em vez de radiação ionizante, está sendo desenvolvido por pesquisadores da Escola Politécnica (Poli) da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto Federal de São Paulo (IFSP). Ainda em fase de protótipo, a tecnologia promete ser uma alternativa menos dolorosa e mais acessível à mamografia tradicional.
O professor Bruno Sanches, do Departamento de Engenharia de Sistemas Eletrônicos da Poli e pesquisador do Laboratório de Sistemas Integráveis, o LSI, explica que a proposta surgiu da vontade de criar uma solução acessível e prática para a realidade brasileira. “Nós queríamos fazer um dispositivo que fosse barato, que pudesse ser espalhado pelo País de maneira eficiente e que não precisasse de um radiologista para operar, então a gente queria um dispositivo na ordem de talvez R$ 1 mil.”
O protótipo chama atenção também pelo seu formato: “Ele tem mais ou menos a aparência de um sutiã, um pouco maior que um sutiã, e ele é operado manualmente. Ele é eletrônico, tem uma interface com computador, onde são mostradas as imagens. É um sistema inicial, ele não parece com um mamógrafo tradicional, no momento. Tem uma similaridade maior com o exame de, talvez, ultrassom”, descreve Sanches.
O professor aponta algumas das vantagens do dispositivo, uma das que mais chamam a atenção é que o novo método não precisa comprimir os seios para a realização do exame. “O exame pode ser feito de uma maneira circular em volta da mama, sem apertá-la, sem causar esse incômodo”, explica. “Mas, além dessa vantagem de conforto, tem algumas outras. A mamografia funciona pelos raios X, atravessando ali o tecido e chegando no detector do outro lado. É um exame que tem alguns ângulos, geralmente são poucos. Nesse que a gente propõe, você pode ter muitos ângulos, da ordem de, talvez, 64, ou até centenas de ângulos.”
Além do conforto e da qualidade da imagem, o equipamento traz benefícios em termos de custo e acessibilidade. “Ele pode ter um acompanhamento, uma periodicidade melhor, já que não tem desconforto. Ele não precisa de um radiologista para operar. Isso vai ter um custo de operação menor”, ressalta Sanches. “E como a gente está utilizando circuitos eletrônicos, que podem ser produzidos em massa, diferentemente do raio X convencional, do mamógrafo convencional, existe uma possibilidade maior de acessibilidade.”
Ele aponta, também, a vantagem da mamografia: “A mamografia tem uma vantagem, ela trabalha com ondas muito pequenininhas, vai conseguir detectar coisas muito, muito reduzidas. Mas ela tem esse problema de você não ter a visão, tem casos que a visão fica bem complicada. No nosso caso, as ondas têm uma energia menor, isso vai implicar uma resolução, muitas vezes, menor que a mamografia tradicional. Mas a gente tem a vantagem de saber o que é aquele tecido que está lá e, para isso, não é necessário nenhum tipo de medicamento ou contraste químico, nada disso, é só por causa das características dos tecidos envolvidos ali na mama”.
Sanches comenta ainda a respeito da importância da mamografia e de ser um exame presente em todo o país: “A gente fica muito feliz de colocar o Brasil no mapa dos seletos países que têm essa tecnologia. São bem poucos. Hoje em dia a mamografia é uma tecnologia que pode ser muito benéfica”.

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