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De Olho na Cidade, por Fábio Behrend

Os padres católicos barrados em presídios e a agonia dos vereadores do PP

Imagem: Reprodução | Freepik
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Fábio Behrend

por Fábio Behrend

Publicado em 03/04/2026, às 08h32


Preteridos

A cúpula da Igreja Católica está inconformada com as recentes e sucessivas negativas que padres têm recebido da Secretaria de Administração Penitenciária para que possam, como garante a legislação, ter acesso aos presídios e centros de detenção para prestar auxílio espiritual aos detentos.

Escolhidos

A questão é que enquanto padres estariam sendo barrados, pastores evangélicos continuariam sendo liberados sem problemas. A SAP (Secretaria de Administração Penitenciária), administra 180 unidades prisionais no estado, além de hospitais e centros de reintegração social. A dificuldade de acesso estaria concentrada em unidades onde instituições ligadas à Igreja Universal do Reino de Deus promovem cursos de qualificação profissional que beneficiam 8 mil detentos. O assunto esquentou tanto que ultrapassou os limites da Pastoral Carcerária e chegou a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.

Reação

Na CNBB o assunto é considerado delicado. Uma fonte ligada à Igreja Católica afirma que ainda é cedo para se pensar em posicionamento oficial, mas que “dados mais concretos e detalhados já estão sendo levantados nas regiões onde o problema foi detectado”. A limitação de acesso teria começado de forma gradual depois da pandemia, se intensificado em 2024 e chegado ao ápice no final do ano passado. “Essa proibição de acesso dos padres já é assunto há algum tempo, mas agora está absolutamente escancarada e se espalhou rápido. A questão é que evangélicos têm força política, católicos não”, afirmou minha fonte.

Confirmação

Um assessor do bispo de Piracicaba, Dom Devair Araújo da Fonseca, negou à coluna que que o religioso tenha reclamado com o governador sobre o assunto. Porém, acabou deixando escapar que o problema existe e em Piracicaba padres têm sido impedidos de entrar também em hospitais.

Tudo que ele não queria

Dois movimentos políticos certamente desagradaram o prefeito Ricardo Nunes essa semana. O primeiro é a migração do vice governador Felício Ramuth do PSD para o MDB, que significa uma pedra no sapato de Nunes em direção à disputa do Governo do Estado em 2030. O segundo é o delegado influencer Bruno Lima, que era aguardado no MDB mas se decidiu pelo Podemos. A mudança no combinado pode inviabilizar uma dobradinha entre o deputado federal que será candidato à reeleição e a primeira dama Regina Nunes, que vai tentar vaga na Alesp.

Ponto de vista

Janaína Paschoal, do PP, disse textualmente que vai perder o mandato a partir da retomada do julgamento de ação imposta contra o PP por ter usado candidatas mulheres apenas para cumprir a cota de 30% de candidaturas femininas nas eleições de 2024. Foi durante o discurso na tribuna da Câmara Municipal na última terça. Ela diz que os tribunais eleitorais estão condenando a 8 anos de inelegibilidade mulheres que não fizeram campanha por motivos de saúde, problemas na gestação ou morte na família, mas que tentaram ser candidatas mesmo sem receber dinheiro público. “São penas injustas e indecentes, que comprometem o futuro das mulheres. Imagina entregar o certificado de quitação eleitoral na hora de procurar emprego e estar escrito lá: inelegível por 8 anos. A pessoa vai pensar: não vou contratar, é corrupta”. Além de Janaína Paschoal, os vereadores Murillo Lima, Sargento Nantes e Major Palumbo podem perder o mandato.

10 dias

O julgamento foi suspenso na quarta-feira porque dois desembargadores pediram vistas do processo e deve ser retomado em 10 dias úteis. Tempo que será usado também pelo prefeito Ricardo Nunes para decidir o que fazer com a Secretaria de Mobilidade Urbana e Transporte, hoje sob comando do PP, partido que pode ficar sem nenhum vereador em SP. 

Abstenção em baixa

Pesquisa Nexus BTG divulgada essa semana aponta que quase 90% dos brasileiros devem comparecer às urnas em outubro, registrando possivelmente a mais baixa abstenção dos últimos anos. Renan Santos, do Missão (partido do MBL), sabe disso. Está com a campanha estruturada, circulando pelo nordeste e chamando os jovens para irem às urnas. Pelo menos nessa missão ele pode ter sucesso esse ano.

Contato: [email protected]


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