Se os aros olímpicos são o símbolo máximos das Olimpíadas, nos Jogos de Tóquio a face mais cristalina tem nome e sobrenome: Rikako Ikee. A nadadora, sensação

Redação Publicado em 23/07/2021, às 00h00 - Atualizado às 09h48
Se os aros olímpicos são o símbolo máximos das Olimpíadas, nos Jogos de Tóquio a face mais cristalina tem nome e sobrenome: Rikako Ikee. A nadadora, sensação desde as categorias de base, ganhou notoriedade no esporte local ao chegar em sexto lugar nos 100m borboleta na Rio 2016 com apenas 16 anos e se consolidou como uma das atrações do megaevento, que volta à capital nipônica depois de cinco décadas.
Neste sábado, os holofotes recaem sobre ela nas eliminatórias do revezamento 4x100m livre durante o primeiro dia da natação. Se a equipe japonesa avançar, ela deve nadar a final na manhã deste domingo em Tóquio, noite de sábado no Brasil.

Rikako Ikee comemora vitória em seletiva e vaga para as Olimpíadas — Foto: AFP
Depois das boas-vindas no Rio, Rikako explodiu no cenário internacional durante os Jogos Asiáticos de 2018, em Jacarta, na Indonésia. Com seis medalhas de ouro e duas de prata, foi eleita a melhor nadadora da competição. Na mesma época, bateu os recordes japoneses dos 50m livre e dos 100m borboleta e figurou entre as melhores do mundo nos 100m e 200m livre.
Mas a história da atleta e sua relação com Tóquio 2020 ganhou ainda mais atenção depois que ela passou por um drama pessoal que mobilizou todo o país. Rikako foi diagnosticada com uma leucemia no começo de 2019 e ficou praticamente dois anos afastada das piscinas para se recuperar. No período em que ficou alijada do esporte, ela começou a se tornar protagonista das Olimpíadas, com aparições em cerimônias de contagem regressiva e de marcos do comitê organizador.
Em uma delas, em outubro de 2020, pouco depois de finalizar o bem-sucedido tratamento, participou de uma solenidade de inauguração do Centro Aquático de Tóquio, instalação que custou quase R$ 3 bilhões e é uma das mais belas da competição. Rikako caiu na água para participar de um revezamento simbólico que “abriu” a piscina de 50m.
Aquele gesto serviu, também, para dizer que a japonesa estava próxima de ensaiar um retorno ao esporte de alto rendimento.
O ensaio rendeu uma apresentação sólida durante o Campeonato Nacional do Japão, que ocorreu em abril e valeu de seletiva olímpica para a natação local. Rikako venceu quatro provas no evento (50m livre, 50m borboleta, 100m livre e 100m borboleta) e carimbou sua vaga para as Olimpíadas.

Cartaz com foto de Rikako Ikee no Centro de Ginástica Ariake — Foto: Paulo Roberto Conde
Ela deve nadar apenas os revezamentos 4x100m livre e 4x100m medley – ainda há dúvidas se vai participar das disputas individuais. Quaisquer que sejam seus resultados, somente o fato de ter obtido lugar entre os cerca de 11 mil atletas nos Jogos depois de superar uma leucemia já vale medalha.
E o comitê organizador de Tóquio 2020 tem usado a história de Rikako como pano de fundo de um evento cuja maior marca é a superação – as Olimpíadas foram adiadas, pela primeira vez em sua história, por causa da pandemia de Covid-19.
Ela está em todos os cantos da capital japonesa. Em outdoors, cartazes dos Jogos, panfletos, mensagens na TV. Rikako aparece tanto que até chega a ofuscar outras estrelas mais medalhadas da própria natação local, como Daya Seto.

Rikako Ikee na cerimônia de um ano para as Olimpíadas de Tóquio — Foto: Du Xiaoyi – Pool/Getty Images
No último dia 5, ela participou de um evento festivo em Sagamihara, cidade ao sul de Tóquio, onde disputou um revezamento. Ao fim de sua parcial, o placar se acendeu e desejou-lhe feliz aniversário – a nadadora havia completado 21 anos um dia antes. Uma amostra de que, mais do que os resultados, a mera presença de Rikako Ikee provoca reverência entre os japoneses.
– Eu não sei se eu sou a pessoa mais feliz do Japão ou do mundo, mas eu realmente sinto que sou uma nadadora feliz. Sinceramente, acho que é bom estar viva – afirmou.
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Fontes: Ge – Globo Esporte.
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