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Irã denuncia bloqueio de ingressos para torcedores às vésperas da Copa do Mundo

Federação afirma que medida prejudica fãs da seleção e questiona possível interferência política na organização do torneio

O Irã estreia na Copa do Mundo em 15 de novembro, enfrentando a Nova Zelândia, em meio a incertezas sobre logística e vistos - Imagem: Divulgação/FFIRI
O Irã estreia na Copa do Mundo em 15 de novembro, enfrentando a Nova Zelândia, em meio a incertezas sobre logística e vistos - Imagem: Divulgação/FFIRI

Letícia Sales Publicado em 09/06/2026, às 09h45


A poucos dias do início da Copa do Mundo, a Federação Iraniana de Futebol (FFIRI) afirmou ter sido impedida de distribuir a cota oficial de ingressos destinada aos torcedores da seleção nacional. A decisão provocou indignação da entidade, que classificou a medida como incompatível com os princípios de igualdade que regem as competições internacionais.

Em comunicado divulgado nesta terça-feira (9), a federação informou que já havia iniciado o processo de venda das entradas para os jogos do Irã no Mundial, mas recebeu a informação de que não poderia mais disponibilizá-las aos torcedores.

“Isso ocorre apesar de muitos torcedores iranianos terem, com base no processo oficialmente anunciado, feito todos os preparativos necessários para comparecer aos jogos”, declarou a entidade.

A FFIRI também criticou o impacto da decisão sobre os fãs da seleção e afirmou que a restrição fere valores fundamentais do esporte.

“É uma medida contrária ao espírito que rege as competições internacionais e ao princípio da igualdade entre os países participantes”, destacou a federação.

Segundo a entidade, o caso levanta “sérias questões sobre a interferência de considerações não esportivas e políticas na organização do maior evento do futebol mundial”.

Pelas regras da competição, cada seleção participante recebe uma cota correspondente a 8% dos ingressos de suas partidas para distribuição entre seus torcedores. No entanto, a federação iraniana não informou quem teria determinado a suspensão da entrega das entradas.

Diante da situação, a FFIRI cobrou uma posição da FIFA e pediu que a entidade mantenha os princípios de neutralidade e respeito aos regulamentos.

A participação do Irã nesta edição da Copa do Mundo já vinha sendo marcada por incertezas. Desde o agravamento das tensões envolvendo Estados Unidos, Israel e a República Islâmica, surgiram dúvidas sobre a logística da delegação e a concessão de vistos para integrantes da equipe.

Como consequência, a seleção iraniana transferiu sua base de treinamento do Arizona para o México, buscando reduzir o tempo de permanência em território norte-americano. Após semanas de negociações, os jogadores receberam autorização para entrar nos Estados Unidos, embora parte da comissão técnica e da delegação ainda enfrente restrições.

Apesar dos obstáculos, a equipe já está instalada no México para a disputa do torneio. Em nota divulgada nesta terça-feira, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafstrom, informou ter realizado uma reunião com o presidente da federação iraniana, Mehdi Taj.

“Com a equipe agora instalada no México, a FIFA continuará o diálogo e a colaboração com a FFIRI para garantir que a experiência da seleção e da delegação seja positiva”, afirmou Grafstrom.

O Irã estreia na Copa do Mundo no próximo dia 15 contra a Nova Zelândia. Depois, enfrenta a Bélgica e encerra sua participação na fase de grupos diante do Egito.


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