Após a saída de Ednaldo, 19 federações estaduais assinam manifesto pedindo mudanças profundas na gestão da CBF e convocação de novas eleições

William Oliveira Publicado em 16/05/2025, às 11h44
O presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), Ednaldo Rodrigues, foi destituído do cargo por decisão judicial, após a suspeita de falsificação da assinatura de Coronel Nunes, um dos vice-presidentes da entidade. O documento teria sido utilizado para consolidar o poder de Rodrigues dentro da CBF.
No mesmo dia do afastamento, 19 das 27 federações estaduais assinaram um manifesto pedindo uma reformulação profunda na estrutura da CBF. Apesar de não citar diretamente Ednaldo, o texto propõe a convocação de novas eleições — processo que pode ser liderado por Fernando Sarney, nomeado interventor pelo Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJ-RJ).
O manifesto destaca a urgência de mudanças na gestão da confederação e pede por mais transparência e profissionalismo: “Além da estabilidade, o cenário exige uma renovação de ideias, de práticas e de lideranças, bem como a profissionalização definitiva das estruturas de gestão. A CBF precisa ser exemplo de governança, eficiência e transparência”, dizem os dirigentes das federações.
Um grupo formado por 19 federações estaduais divulgou um manifesto público pedindo "renovação e descentralização" do futebol brasileiro. O documento não cita o nome de Ednaldo Rodrigues, presidente da CBF afastado pela Justiça do Rio. pic.twitter.com/ecSENic4FP
— @leiemcampo (@leiemcampo) May 16, 2025
Oito federações não assinaram o documento: São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso e Amapá.
Queda da CBF
A decisão que tirou Ednaldo do comando da CBF foi proferida pela 19ª Câmara Cível do TJ-RJ, com base na suposta falsificação de assinatura em um acordo homologado em fevereiro. Se confirmada, a fraude invalidaria a eleição que o levou à presidência.
O desembargador Gabriel De Oliveira Zefiro afirmou que Coronel Nunes não participou da audiência sobre o caso. Um laudo médico indicou problemas cognitivos, e um exame grafodocumentoscópico apontou dúvidas sobre a autenticidade da assinatura.
Com base nesses elementos, o desembargador anulou o acordo firmado e determinou o afastamento imediato da atual diretoria da CBF. Coube a Fernando Sarney, vice-presidente, a missão de organizar o novo processo eleitoral.
Na semana anterior, o Supremo Tribunal Federal (STF) já havia recebido duas denúncias contra Ednaldo: uma da deputada Daniela do Waguinho e outra do próprio Fernando Sarney. Embora Gilmar Mendes tenha rejeitado os pedidos de afastamento, remeteu o caso à Justiça do Rio, onde a decisão foi finalmente tomada.
A ordem judicial ressalta a urgência na convocação das novas eleições e estabelece que Sarney atue como interventor até a escolha da nova diretoria.
Confira um trecho da decisão:
“Pelo exposto, determino:
1- o afastamento da atual diretoria da CBF;
2- que o Vice-Presidente da CBF, Fernando José Sarney,
realize a eleição para os cargos diretivos da CBF, na
qualidade de interventor, o mais rápido possível,
obedecendo-se os prazos estatutários, ficando a seu cargo,
até a posse da diretoria eleita, os poderes inerentes à
administração da instituição, dispostos no art.7º do
Estatuto da Entidade;
3- Esta decisão servirá como mandado de intimação;
4- Assine-se o respectivo termo.”

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