Banco destinou R$ 35 milhões da premiação da Copa do Brasil a uma conta de garantia prevista em contrato; clube contesta a medida.

Ana Beatriz Publicado em 07/01/2026, às 11h37
O bloqueio de R$ 35 milhões do prêmio recebido pelo Corinthians pela conquista da Copa do Brasil gerou questionamentos entre torcedores e dirigentes sobre a situação financeira do clube e o pagamento da Arena em Itaquera. A retenção foi feita pela Caixa Econômica Federal, que direcionou o valor para uma chamada “conta reserva”, mecanismo contratual firmado entre as partes em 2022.
Ao todo, o Corinthians recebeu R$ 77 milhões da CBF pelo título. Cerca de metade do montante foi destinada ao pagamento de premiações aos jogadores, enquanto o restante seria utilizado para compromissos imediatos do clube, como a regularização de pendências que resultaram em punições esportivas. No entanto, parte desses recursos acabou retida pelo banco estatal.
A diretoria alvinegra contesta a medida e afirma que a Caixa estaria antecipando obrigações financeiras futuras, especialmente juros previstos para 2026, com receitas referentes a 2025. Já a Caixa sustenta que a retenção segue cláusulas contratuais e tem como objetivo garantir o cumprimento das obrigações do financiamento do estádio.
Segundo o contrato, ao qual o Estadão teve acesso, a conta reserva deve manter recursos equivalentes a quatro parcelas trimestrais de amortização do principal e dos juros da dívida. A recomposição desse fundo ocorre, prioritariamente, com 50% das premiações esportivas e 30% das receitas brutas provenientes da venda ou transferência de atletas.
O Corinthians tinha prazo até 31 de dezembro de 2025 para completar o valor exigido na conta reserva. Cada parcela varia entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões, o que exige um saldo total entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões. A premiação da Copa do Brasil teria sido usada para fechar esse montante mínimo. O próximo pagamento está previsto para março.
Caso o clube não mantenha o saldo exigido e não recomponha a conta em até 90 dias após notificação, o contrato prevê a caracterização de inadimplência, permitindo à Caixa bloquear outros recursos do projeto ou até declarar o vencimento antecipado da dívida. Por isso, o banco considera a retenção como cumprimento das metas de liquidez acordadas.
Dívida bilionária
A dívida total do Corinthians gira em torno de R$ 2,7 bilhões. Desse valor, aproximadamente R$ 650 milhões correspondem ao financiamento da Arena em Itaquera junto à Caixa. Como garantias, o contrato inclui ativos imobiliários, participações acionárias e a alienação fiduciária de imóveis como a sede social e o Parque São Jorge.
O acordo também estabelece percentuais sobre receitas do clube, como bilheteria do estádio, que passou de 50% até 2024 para 55% entre 2025 e 2027, além de 100% das receitas de naming rights e direitos de transmissão, vinculadas ao fluxo de pagamento da Arena.

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