Uma das principais críticas feitas ao Palmeiras dirigido por Roger Machado, demitido na última quarta-feira, era a falta de capacidade para definir uma

Redação Publicado em 30/07/2018, às 00h00 - Atualizado às 11h23
Uma das principais críticas feitas ao Palmeiras dirigido por Roger Machado, demitido na última quarta-feira, era a falta de capacidade para definir uma partida quando tinha a oportunidade. O famoso “matar o jogo”.
No último domingo, sob o comando do interino Wesley Carvalho, a equipe não só definiu ainda na etapa inicial o duelo diante do Paraná, pela 16ª rodada do Campeonato Brasileiro, como apresentou um jogo com variações táticas como há muito tempo não se via.
O treinador do sub-20, que tem a missão de dirigir o Verdão até a chegada de Luiz Felipe Scolari, prevista para sexta-feira, não se intimidou em mexer no time titular e foi ousado. Deixou Lucas Lima no banco de reservas, escalou o atacante Artur, de 20 anos, na ponta direita, e foi com Bruno Henrique e Moisés de volantes.
Das sete chances reais de gols, o Verdão converteu três – dois de Bruno Henrique e outro de Lucas Lima –, somou os três pontos e foi aos 26 pontos na tabela do Campeonato Brasileiro. O mais importante no momento é não desgarrar do grupo dos líderes, neste fim de primeiro turno.

Bruno Henrique fez dois gols na vitória sobre o Paraná (Foto: Marcos Ribolli)
Bom, alguns mais exigentes podem falar: “Mas era contra o Paraná, que só conseguiu um ponto fora de casa”. Sim, mas se lembrarmos que o Palmeiras foi até Fortaleza, abriu 2 a 0 diante do Ceará e sofreu o empate de uma equipe que até aquela 11ª rodada não tinha vencido em casa, o triunfo deste domingo tem que ser exaltado.
Foi a partir do duelo contra os cearenses, inclusive, que o Verdão iniciou essa sina de não definir o resultado. Foram quatro jogos – empate com o Flamengo, empate com o Santos, vitória sobre o Atlético-MG e derrota para o Fluminense. No triunfo sobre os mineiros, fez o gol da vitória no último minuto. Nos empates, teve inúmeras chances de vencer antes de sofrer o gol.
A vitória contra o Paraná foi outra história. Foi a primeira vez nesta sequência que o Palmeiras não sofreu nenhum gol e que venceu por mais de dois gols de diferença. Mostrou consistência.
E tal consistência tem muito a ver com as mudanças efetuadas por Wesley Carvalho. Ele acertou na escalação de Artur, como o próprio celebrou em entrevista coletiva. Mas foi com Scarpa com liberdade no meio, flutuando entre as linhas do 4-1-4-1 do adversário, que ganhou o jogo.
– Sobre o Scarpa jogar por dentro, no meu entendimento, eu acredito que ele rende mais, ele não tem tanto a transição rápida como tem o Artur, o Dudu. Eu gosto de jogar com os meias mais de talento, de técnica, encaixe de bola e com extremos que chegam mais, que busquem profundidade, que tenham o um contra um muito forte. Isso é o que o futebol tem pedido mundialmente, então não podemos abrir mão dessa característica de jogador por ali – explicou o interino sobre a escalação do jogador.

Gustavo Scarpa foi escalado entre as linhas de marcação e teve destaque (Foto: Marcos Ribolli)
O meia iniciou o duelo mais pelo lado esquerdo do ataque, apoiando muito Diogo Barbosa e Dudu. Em outros momentos era possível vê-lo buscando a bola no campo defensivo e iniciando a jogada, liberando Bruno Henrique para ficar mais perto da área. Por vezes, pela direita, ajudando o jovem Artur a fazer uma grande partida.
Wesley Carvalho revelou em entrevista após a vitória que falou com Felipão por telefone um dia antes de ir a campo. O experiente treinador disse para que o interino seguisse o seu coração, a sua intuição. Assim o fez, e assim deixa uma clima mais ameno para o novo comandante, em um Palmeiras que vive dias turbulentos dentro e fora de campo.
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