Cantor diz que streaming usou imagens “ilegalmente”; direção nega e reafirma transparência do projeto

Gabriela Nogueira Publicado em 03/12/2025, às 18h04
A estreia do documentário Sean Combs: O Acerto de Contas, da Netflix, reacendeu debates intensos sobre a trajetória e as controvérsias envolvendo o artista americano. A produção, que promete lançar luz sobre décadas de carreira, poder e polêmicas, também abriu espaço para uma batalha pública entre a plataforma, a equipe de direção e os representantes de Combs.
Em comunicado divulgado nesta semana, um porta-voz do artista classificou o documentário como uma tentativa “desonrosa” de manchar a reputação de Combs. Segundo ele, parte das imagens utilizadas foi obtida de forma ilegal e pertence a um acervo pessoal que o próprio músico teria reunido desde a juventude com o objetivo de contar sua história sob sua própria perspectiva.
Para o representante, a Netflix e seu CEO, Ted Sarandos, estariam explorando o arquivo privado fora de contexto, priorizando impacto e audiência em detrimento da veracidade. A declaração afirma que nenhum direito de uso foi concedido à plataforma ou à produção. A escolha do rapper 50 Cent como diretor criativo da série também foi duramente criticada, descrita como uma “traição”, dado o histórico de rivalidades entre os dois artistas.
A diretora Alexandria Stapleton, responsável pela condução da série, rebateu as acusações em nota enviada à revista Variety. Ela garantiu que todo o conteúdo utilizado possui direitos devidamente regularizados e afirmou que a equipe se empenhou em proteger a identidade do cinegrafista das imagens pessoais de Combs. Stapleton ressaltou que o artista sempre manteve o hábito de registrar sua rotina, o que facilitou o volume de material disponível.
O documentário busca reconstruir tanto os altos quanto os baixos da carreira de Combs, incluindo depoimentos inéditos e relatos sobre o impacto de sua influência na indústria do entretenimento. A produção também examina episódios controversos, especialmente aqueles associados a acusações criminais recentes.
Em setembro, Combs foi condenado por duas infrações ligadas ao transporte para fins de prostituição, embora tenha sido absolvido das acusações mais graves relacionadas ao tráfico sexual e conspiração para extorsão. A decisão do juiz Arun Subramanian resultou em uma pena de 50 meses de prisão e multa de US$ 500 mil, valor equivalente a cerca de R$ 2,6 milhões.
O lançamento da série ampliou a polarização em torno da imagem do artista, dividido entre acusadores, defensores e um público curioso por respostas. A Netflix segue promovendo o projeto como uma investigação sobre o poder, os bastidores e as múltiplas camadas da vida de Sean Combs, enquanto sua equipe jurídica estuda novas medidas.
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