Lorrayne Mavromatis afirma ter sofrido abusos durante três anos de trabalho na empresa de MrBeast e diz que caso foi levado à Justiça dos Estados Unidos.

Ana Beatriz Publicado em 23/04/2026, às 14h30
Uma influenciadora brasileira processou a empresa do youtuber MrBeast, acusando-a de assédio moral, sexual e discriminação durante seu trabalho, incluindo episódios ocorridos durante a gestação.
Lorrayne Mavromatis relata que enfrentou abusos por três anos, sendo forçada a participar de reuniões em situações constrangedoras e mantendo intensa carga de trabalho mesmo durante a gravidez.
A empresa ainda não se manifestou sobre as acusações, enquanto o caso levanta questões sobre as condições de trabalho na economia dos criadores e pode influenciar o mercado de influência digital em busca de melhores práticas de gestão.
Uma influenciadora brasileira abriu um processo nos Estados Unidos contra a empresa ligada ao maior youtuber do mundo, acusando o ambiente de trabalho de práticas de assédio moral, assédio sexual e discriminação. O caso envolve a criadora de conteúdo Lorrayne Mavromatis e a companhia vinculada ao influenciador MrBeast, cujo nome real é Jimmy Donaldson.
De acordo com a denúncia, protocolada na Justiça norte-americana, Lorrayne afirma que enfrentou situações de abuso ao longo dos três anos em que trabalhou na empresa, incluindo episódios ocorridos durante a gestação. O processo foi registrado no estado da Carolina do Norte, onde a companhia mantém operações.
Segundo o relato, a influenciadora teria sido obrigada a participar de reuniões privadas na residência de um dos executivos da empresa, identificado no processo como James Warren, ex-CEO da organização. Nessas ocasiões, afirma ter sido alvo de comentários sobre sua aparência, em situações que classificou como inadequadas e constrangedoras.
A denúncia também aponta que as condições de trabalho se mantiveram intensas mesmo durante a gravidez. Lorrayne relata que continuou atuando até o final da gestação e que chegou a participar de reuniões enquanto estava em trabalho de parto. Após o nascimento da filha, afirma que retornou às atividades apenas uma semana depois e que foi demitida cerca de duas semanas após esse retorno.
O caso ganhou repercussão internacional pela dimensão da empresa envolvida. MrBeast é atualmente o maior criador de conteúdo do YouTube, com mais de 470 milhões de inscritos em seu canal. Ele ficou conhecido por vídeos de grande escala, desafios com altos valores em dinheiro e ações filantrópicas que alcançam audiência global.
Além da produção de conteúdo, o influenciador expandiu sua atuação para diferentes áreas de negócio, incluindo alimentação, produtos de consumo e plataformas digitais, consolidando um ecossistema empresarial que vai além do entretenimento tradicional.
Até o momento, a empresa não havia se manifestado oficialmente sobre as acusações. Veículos de imprensa brasileiros informaram que procuraram a companhia para esclarecimentos e aguardam posicionamento.
O caso levanta discussões sobre condições de trabalho dentro da chamada economia dos criadores, especialmente em estruturas empresariais que cresceram rapidamente e passaram a operar em escala global. Também traz à tona questionamentos sobre governança, cultura organizacional e responsabilidade de grandes marcas pessoais que se transformaram em conglomerados de mídia e negócios.
A ação judicial ainda está em fase inicial e deverá seguir os trâmites da Justiça norte-americana, onde serão analisadas as provas apresentadas pelas partes. O desfecho pode ter impacto não apenas para os envolvidos diretamente, mas também para o mercado de influência digital, que vem sendo cada vez mais pressionado por padrões formais de gestão e compliance.
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