Caso reforça alertas sobre preparo e responsabilidade em trilhas de alto risco

Gabriela Nogueira Publicado em 12/01/2026, às 11h34
Cinco dias perdido a mata, uma mobilização intensa de buscas e um final que não incluiu reconciliação. A história do jovem de 19 anos que sobreviveu após se perder durante uma trilha no Pico Paraná ganhou um novo capítulo com a decisão dele e da parceira de aventura de não manterem a amizade depois do episódio.
Roberto Farias desapareceu no último dia de 2025 ao se separar de Thayane Smith durante a descida do ponto mais alto do Sul do Brasil, na Serra do Mar, no Paraná. O que começou como um plano para assistir ao primeiro amanhecer de 2026 no topo da montanha terminou em uma luta pela sobrevivência em terreno extremo, sem equipamento adequado e com pouca experiência em trilhas longas.
Os dois chegaram juntos ao cume, mas, na descida, Roberto passou mal e ficou para trás. Thayane seguiu com outro grupo, acreditando que ele conseguiria alcançar o acampamento. Em um trecho de bifurcação, o jovem errou o caminho, escorregou e caiu em um penhasco. A partir dali, passou a vagar pela mata fechada, atravessando áreas de pedras, cachoeiras e trilhas pouco exploradas.
Durante os dias em que esteve perdido, Roberto perdeu a bota e os óculos, item essencial por ter problema de visão. Mesmo assim, conseguiu manter o controle emocional e usar conhecimentos básicos de primeiros socorros para seguir em frente. Bombeiros afirmaram que ele atravessou um trecho considerado intransitável sem equipamentos, algo raro até mesmo para equipes experientes.
No quinto dia, já debilitado, o jovem conseguiu sair da mata e chegou a uma fazenda, onde foi socorrido. As imagens do resgate circularam rapidamente e marcaram o fim da operação de buscas. Depois de receber atendimento médico, Roberto fez questão de agradecer pessoalmente aos funcionários que o ajudaram e às equipes que atuaram na tentativa de localizá-lo.
Dias após o resgate, Roberto e Thayane se reencontraram em uma praça de Curitiba. O encontro foi discreto, carregado de emoção e silêncio. Houve pedidos de desculpa, especialmente pela decisão tomada durante a trilha, mas também a constatação de que o episódio deixou marcas difíceis de apagar.
Thayane reconheceu o peso da escolha feita naquele dia e lamentou ter seguido sem o amigo. Roberto, por sua vez, afirmou que a confiança foi quebrada. Em comum acordo, os dois decidiram encerrar o vínculo e não seguir com a amizade iniciada poucos meses antes da viagem.
O caso reacendeu alertas sobre segurança em trilhas de alto risco. Especialistas reforçam que o Pico Paraná exige preparo físico, conhecimento do percurso, equipamentos adequados e, sempre que possível, acompanhamento de guias experientes. Permanecer em grupo e respeitar os limites individuais são orientações básicas para evitar situações semelhantes.
Para Roberto, a experiência deixou uma marca definitiva. De volta à rotina e mais próximo da família, ele resume o que viveu como uma segunda chance. A trilha terminou, a amizade ficou para trás e a lição permanece.
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