Metanol é um solvente altamente inflamável

Marina Roveda Publicado em 11/09/2023, às 08h50
A Agência Nacional de Petróleo e Gás (ANP) detectou a presença de metanol em combustíveis e tanques secretos em postos de São Paulo. Durante as inspeções, os fiscais da agência visitaram estabelecimentos em 13 Estados, e no último levantamento realizado em agosto, foram analisados 53 postos e 11 revendas de GLP no território paulista. Embora alguns postos tenham sido fechados devido a irregularidades constatadas, muitas vezes eles são reabertos em questão de semanas.
No Estado de São Paulo, a ANP autuou dois postos do grupo RodOil em Santos por falta de autorização de funcionamento. Esses estabelecimentos já haviam tido suas licenças revogadas anteriormente, mas continuaram operando.
De acordo com José Alberto Paiva Gouveia, presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo (Sincopetro), o mercado de combustíveis adulterados tem crescido. Ele enfatiza a necessidade de uma maior participação dos municípios na fiscalização, bem como de outros agentes públicos, para combater essas fraudes.
“Ninguém pode alegar inocência nesse assunto. Todas as autoridades e todo mundo que trabalha nesse setor conhece esse assunto profundamente. Falta uma ação mais firme e mais forte do próprio governo para evitar que isso continue acontecendo”, declarou.
Rodrigo Zingales, diretor da Associação Brasileira de Revendedores de Combustíveis Independentes e Livres (Abrilivre), argumenta que a única explicação para os preços significativamente mais baixos nos postos de combustíveis está ligada ao mercado paralelo. Ele destaca que, em muitos casos, postos de bandeira estão envolvidos na venda de combustíveis adulterados.
O superintendente de fiscalização da ANP, Francisco Nelson, nega que a agência esteja falhando na fiscalização dos revendedores. Ele ressalta que a fiscalização da ANP inclui operações de repressão e identificação de irregularidades, além de orientação aos consumidores e agentes econômicos. A ANP afirma que apenas 3% das análises realizadas apresentaram adulteração e que realiza operações de fiscalização semanalmente em todo o Brasil.
“A fiscalização é uma ação repressiva de identificação da irregularidade e repressão, é uma ação de natureza coercitiva. Nós não temos só essa ação, temos diversas outras ações, como é o caso do programa de monitoramento da qualidade, políticas de orientação aos consumidores, políticas de orientação aos próprios agentes econômicos e tem todo um regramento que envolve o carregamento dos caminhões até a chegada do posto”, concluiu.
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