Absolvição do vereador Eduardo Pereira reacende discussão sobre liberdade de consciência, atuação parlamentar e os limites da criminalização por homofobia no Brasil.

Douglas Garcia Publicado em 18/05/2026, às 18h54
A Justiça de São Paulo absolveu o vereador Eduardo Pereira, de Bertioga, após sua condenação por racismo análogo à homofobia, reabrindo o debate sobre liberdade religiosa e os limites do Judiciário em questões LGBT no parlamento.
O vereador foi inicialmente condenado por se recusar a ler um projeto de lei LGBT, mas sua defesa argumentou que não obstruiu a tramitação do projeto, que foi aprovado e se tornou lei municipal.
A decisão foi celebrada por setores conservadores como uma vitória da liberdade de consciência, enquanto críticos alertam que crenças pessoais não devem interferir na atuação de agentes públicos em questões de direitos de minorias.
A decisão da Justiça de São Paulo que absolveu o vereador Eduardo Pereira, de Bertioga, voltou a colocar no centro do debate temas como liberdade religiosa, representação política e os limites da atuação do Judiciário em casos envolvendo pautas LGBT dentro do parlamento.
O caso ganhou repercussão após o parlamentar ter sido condenado em primeira instância por racismo análogo à homofobia, entendimento estabelecido pelo Supremo Tribunal Federal em 2019, quando a Corte decidiu enquadrar atos de homofobia e transfobia na Lei do Racismo até que o Congresso Nacional aprovasse legislação específica sobre o tema.
Segundo a denúncia, o vereador se recusou a ler um projeto de lei com temática LGBT durante sessão na Câmara Municipal de Bertioga. A atitude foi interpretada inicialmente como discriminatória. No entanto, ao recorrer da decisão, Eduardo Pereira conseguiu reverter a condenação.
O argumento central da defesa foi de que o parlamentar não impediu a tramitação da proposta, não obstruiu a votação e tampouco tentou barrar o avanço do projeto dentro da Câmara. O texto acabou sendo lido por outro integrante da sessão, aprovado pelos vereadores e posteriormente transformado em lei municipal.
A absolvição passou a ser defendida por setores conservadores e religiosos como uma vitória da liberdade de consciência e do direito de parlamentares atuarem de acordo com seus valores pessoais e religiosos.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o ex-deputado estadual Douglas Garcia afirmou que a condenação inicial representava um excesso judicial e classificou como “absurdo” o fato de um vereador ser condenado simplesmente por optar em não fazer a leitura do projeto.
Segundo Garcia, o parlamentar teria agido de acordo com suas convicções cristãs e não poderia ser obrigado a contrariar sua fé durante o exercício do mandato. O ex-parlamentar também argumentou que impedir políticos religiosos de se posicionarem conforme suas crenças abriria precedente para enfraquecer o próprio sistema de representatividade democrática.
O episódio também gerou forte repercussão entre juristas e movimentos sociais. Enquanto defensores da decisão apontam que o caso envolve liberdade individual e autonomia parlamentar, críticos afirmam que agentes públicos não podem utilizar crenças pessoais para se recusarem a participar de atos institucionais ligados a direitos de minorias.
A discussão acontece em meio ao aumento de embates políticos envolvendo pautas de costumes, religião e direitos LGBT no Brasil, especialmente dentro de câmaras municipais e assembleias legislativas.
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