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Rachel Sheherazade

Big Brother, Rachel Sheherazade e Imprensa Marrom

Imagem: Rachel Sheherazade
Imagem: Rachel Sheherazade

Rachel Sheherazade Publicado em 28/02/2026, às 19h46


A repercussão de um comentário do participante Babu Santana no Big Brother Brasil gerou confusão ao associar a jornalista Rachel Sheherazade à competidora Ana Paula Renault, levando Sheherazade a se manifestar publicamente para esclarecer a situação e defender sua reputação.

Ela enfatiza que o termo 'imprensa marrom' é pejorativo e se refere a um jornalismo sensacionalista que distorce fatos, e afirma que sua trajetória profissional de 26 anos não contém elementos que desabonem sua conduta.

Sheherazade destaca que sempre exerceu o jornalismo de forma ética e responsável, e critica a falta de compreensão sobre os conceitos de jornalismo, ressaltando a diferença entre análise crítica e sensacionalismo.

Estou interrompendo meu final de semana para comentar a repercussão de um trecho exibido no Big Brother Brasil. Alguns veículos de imprensa e perfis nas redes sociais divulgaram que o participante Babu Santana teria confundido a competidora Ana Paula Renault com esta jornalista, Rachel Sheherazade.

Na cena, Babu afirma que Ana Paula pertenceria à chamada imprensa marrom por saber fazer perguntas que provocam. Sinceramente, não acredito que tenha havido qualquer confusão por parte do participante. Ele conhece Ana Paula Renault jornalista, que possui sua própria trajetória pessoal e profissional, distinta da minha.

A confusão que se criou, seja por inépcia ou por maldade, é atribuir a mim a pecha de imprensa marrom. Como prezo profundamente pela minha reputação, venho a público desfazer qualquer mal-entendido ou insinuação criminosa.

O termo imprensa marrom é pejorativo e designa um tipo de cobertura pautada pelo sensacionalismo, com foco em tragédias íntimas, violência exagerada e criminalização da pobreza. Trata-se de um jornalismo que distorce fatos, cria narrativas mentirosas e prioriza o escândalo em vez da informação.

É também um modelo que aposta no ataque pessoal, na intriga e no barulho, não na apuração responsável. Pertence a essa lógica quem vende a consciência, a caneta, o nome, a reputação e a opinião.

Tenho 26 anos de profissão e não há em minha trajetória qualquer fato que desabone minha conduta profissional. O fato de não negociar convicções profundas e de não me submeter ao poder político e econômico talvez explique minha saída do jornalismo televisivo.

Meu pensamento é livre, não tem feitor nem algemas. Fui a primeira mulher no Brasil a emitir opiniões políticas de alcance nacional no horário nobre da TV, enfrentando preconceito, misoginia e xenofobia. Segui em frente apesar do assédio que sofri ao longo do caminho.

Ataques pessoais não me pararam, dinheiro não me comprou e perseguições de empresários e políticos não me impediram de exercer o jornalismo de forma digna e honesta, sempre fiel à minha consciência e às verdades que acredito.

Minha opinião sempre foi firme e contundente, mas baseada em fatos, análise e responsabilidade profissional. Além de jornalista, sou cientista política. Ter posicionamento não é promover espetáculo, assim como jornalismo crítico não é imprensa marrom.

Existe uma diferença clara entre sensacionalismo e análise política e social, e essa linha eu nunca cruzei. Antes de rotular ou criar narrativas apressadas, é importante que o público e a própria imprensa compreendam conceitos básicos do jornalismo que dizem praticar.


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