O Ministério da Defesa anunciou nesta quinta-feira (6) a suspensão das operações de combate a garimpos ilegais na Terra Indígena Munduruku , no Oeste do Pará.

Redação Publicado em 06/08/2020, às 00h00 - Atualizado às 15h31
O Ministério da Defesa anunciou nesta quinta-feira (6) a suspensão das operações de combate a garimpos ilegais na Terra Indígena Munduruku , no Oeste do Pará. A suspensão foi anunciada um dia após um grupo de garimpeiros protestar contra a operação e pedir ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles , que ela fosse suspensa. Em nota, o Ministério da Defesa disse que está trazendo uma comitiva de representantes da região para uma reunião em Brasília.
As operações de combate a garimpos ilegais no Oeste do Pará vinham ocorrendo há algumas semanas como parte da operação Verde Brasil 2, coordenada pelo Ministério da Defesa. Fiscais do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama)vinham destruindo equipamentos e desmontando garimpos na região que é conhecida como um dos principais polos de mineração ilegal do país.
Na quarta-feira, Salles foi a Jacareacanga, um dos municípios da região, acompanhar o andamento da operação. Ao desembarcar no aeroporto da cidade, ele se encontrou com garimpeiros indígenas e não-indígenas que pediram que ela fosse suspensa. Os garimpeiros chegaram a invadir a pista e impediram a decolagem de uma aeronave militar que dava suporte à operação.
Segundo a nota enviada pelo Ministério da Defesa, as operações na Terra Indígena Munduruku foram suspensas para “reavaliação”.
“O Ministério da Defesa reitera que a Operação Verde Brasil 2, de combate a delitos ambientais na Amazônia Legal, continua em andamento. Contudo, as ações na terra indígena Munduruku, no estado do Pará, foram interrompidas para reavaliação”, diz um trecho da nota.
O GLOBO enviou perguntas ao Ministério da Defesa sobre quem havia solicitado a suspensão da operação e que fatores serão reavaliados, mas até o fechamento desta reportagem, essas questões não haviam sido respondidas.
Em outro trecho, a nota diz que um grupo de representantes da região está sendo levado a Brasília para uma reunião com autoridades do governo federal. A viagem está sendo feita em uma aeronave da Força Aérea Brasileira (FAB). A nota não divulgou a lista de representantes e nem os integrantes do governo com quem eles irão se encontrar em Brasília.
A suspensão das operações acontece em meio a uma tentativa do governo federal de enviar sinais a investidores internacionais de que ele está comprometido com o combate ao desmatamento e outros crimes ambientais.
No Twitter, Salles postou um vídeo com imagens das clareiras abertas por garimpeiros na região. Na quarta, Salles ouviu um grupo de garimpeiros indígenas e não-indígenas que estavam reunidos no aeroporto de Jacareacanga e disse que era preciso fazer um debate “de maneira aberta” sobre a possibilidade de os índios praticarem a mineração em suas terras.
“É importante que a gente faça esse debate de maneira aberta. Parem de fazer de conta de que os indígenas não querem garimpar ou produzir lavoura, ou que não querem fazer atividades ligadas ao setor madeireiro florestal como se isso fosse verdade absoluta”, disse Salles, após a reunião.
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