
Redação Publicado em 23/06/2022, às 00h00 - Atualizado em 24/06/2022, às 03h08
A Polícia Civil de São Paulo anunciou a prisão de mais um suspeito de envolvimento no assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Philips. Trata-se de Gabriel Pereira Dantas, que se apresentou espontaneamente a policiais no centro da capital paulista, por volta das 6h desta quinta-feira (23).

“A versão desta pessoa tem fundamento. Ele realmente é de Manaus. Relata com muita riqueza de detalhes o que fez durante o período em Atalaia do Norte. E ele relata que acompanhou esse indivíduo, chamado Pelado, e participou dos atos que culminaram na morte dessas duas pessoas”, declarou o delegado Roberto Monteiro, da Delegacia Seccional do Centro.
Pelado é o apelido de Amarildo da Costa Oliveira, que está preso desde o dia 7 de junho por envolvimento no duplo homicídio. Ele confessou participação no caso e levou os policiais até o local onde os corpos de Bruno e Dom foram enterrados. Além de Pelado, estão presos no Amazonas Jefferson da Silva Lima e Oseney da Costa de Oliveira, conhecido como Dos Santos.
Ainda segundo o delegado, o suspeito que se entregou à Polícia havia fugido do Amazonas e passado pelo estado do Pará e Mato Grosso, até finalmente chegar a São Paulo. A prisão foi informada à Polícia Federal (PF), que está à frente das investigações. O suspeito permanecerá detido e um pedido de prisão já foi formulado à Justiça. A PF ainda não atualizou novas informações sobre o caso, incluindo a detenção deste outro suspeito. Ao todo, os investigadores apuram a participação de oito pessoas no crime.
Ontem (22), a PF informou que os exames periciais realizados nos remanescentes humanos de Bruno e Dom foram concluídos, com a confirmação da identificação de ambos. O trabalho foi feito no Instituto Nacional de Criminalística, em Brasília. À tarde, os corpos foram enviados de avião da capital federal para serem entregues às famílias.
Ainda segundo a PF, o trabalhos dos peritos do Instituto Nacional de Criminalística continuarão nos próximos dias concentrados na análise de vestígios diversos do caso.
Na tarde de hoje (23), o procurador jurídico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja), Eliesio Marubo, esteve em Brasília e conversou com jornalistas sobre a situação na região onde ocorreram os assassinatos. O Vale do Javari está localizado no extremo oeste do Amazonas.
Marubo defendeu a federalização das investigações sobre a morte de Bruno e Dom, criticou a atuação da Funai e acrescentou que a Univaja não está veiculada a questões político-ideológicas. “Na medida em que a Funai restringe a utilização de território, persegue as pessoas que ajudam os povos indígenas, servidores, ela é inimiga”, disse Marubo.
Na terça-feira (21), outro líder da Unijava, Beto Marubo, se reuniu com o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso e relatou ameaças recebidas por ele e outros indigenistas. Ele afirmou que deixou a área por recomendação das autoridades locais de segurança.
Após o desaparecimento de Bruno e Dom, a Funai destacou que realiza ações permanentes de fiscalização no Vale do Javari com órgãos ambientais e de segurança.
No início do mês, em entrevista à Voz do Brasil, o presidente da Funai, Marcelo Xavier, disse que, nos últimos 3 anos, foram R$ 82,5 milhões aplicados e mais de 1,2 mil ações fiscalizatórias em terras indígenas.
“Só para se ter uma ideia no [território] Yanomami, no ano passado, nós apreendemos mais de cem aeronaves, apreendemos também mais de 80 mil litros de combustível e mais de 30 mil quilos de minérios. Inúmeras prisões, busca e apreensões, lacração de postos de combustível que davam suporte para essa atividade ilegal”, disse Xavier.
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