O incêndio que atinge o norte da Califórnia desde quinta-feira se igualou em número de vítimas ao mais letal já registrado na história do estado americano,

Redação Publicado em 12/11/2018, às 00h00 - Atualizado às 07h47
O incêndio que atinge o norte da Califórnia desde quinta-feira se igualou em número de vítimas ao mais letal já registrado na história do estado americano, depois que as autoridades anunciaram que recuperaram mais seis corpos. Até esta segunda-feira (12), 29 pessoas morreram. Outras duas foram vítimas do Woolsey Fire, que atinge a região sul.
Até então, o incêndio que atingiu o Griffith Park, em Los Angeles, ocorrido em 1933, era o incêndio com o maior número de mortos na história da região, de acordo com o Departamento de Bombeiros da Califórnia (Cal Fire).
O fogo, que afeta uma ampla região do condado de Butte, em Sierra Nevada, ao norte da capital do estado, Sacramento, é o maior e mais devastador de vários incêndios ativos no estado, que provocaram a fuga de mais de 250 mil pessoas e a destruição de 6.400 casas na cidade de Paradise.
O chefe de polícia local, Kory Honea, ao final do quarto dia de combate às chamas, informou que os seis corpos estavam em Paradise e seus arredores.

Aeronave ajuda no combate a incêndio Woolsey, que atinge o sul da Califórnia, no domingo (11) — Foto: Eric Thayer/ Reuters
Ao sul, o “Woolsey Fire” afeta os condados de Ventura – onde fica a cidade de Malibu, residência de várias estrelas de Hollywood – e de Los Angeles.
As autoridades anunciaram no domingo que encontraram duas pessoas mortas em um veículo, vítimas do “Woolsey Fire”, o que eleva a 31 o número de falecidos pelos incêndios em todo o estado da Califórnia.
Agora os bombeiros que lutam no sul contra o “Woolsey Fire” se preparam para a chegada dos perigosos ventos de Santa Ana (secos e quentes), que poderiam alastrar as chamas, segundo as autoridades.
“Hoje temos mais de 8.000 bombeiros federais, estaduais e locais nas linhas de frente”, afirmou Scott Jalbert, comandante do Cal Fire. “Infelizmente, com estes ventos, não terminou. Tenham cuidado”, completou.
Alimentado pelos ventos, o “Camp Fire” se tornou o incêndio mais devastador já registrado na Califórnia, com mais de 67.000 imóveis destruídos, incluindo um hospital em Paradise, cidade de 27.000 habitantes.
As chamas destruíram 45.000 hectares e foram contidas em apenas 25%, de acordo com o Cal Fire, que calcula que precisará de três semanas para controlar totalmente a situação.
Apesar da causa ainda não ter sido oficialmente determinada para o incêndio, autoridades do setor elétrico informaram que aconteceu um corte de energia perto do local de origem das chamas, noticiou o jornal Sacramento Bee.
As autoridades afirmaram que a propagação das chamas foi mais rápida desta vez.
“Há 10 ou 20 anos você ficava em casa quando acontecia um incêndio e e era capaz de ficar protegido”, disse o comandante dos bombeiros do condado de Ventura, Mark Lawrenson.
“Mas as coisas não são como eram. A taxa de propagação é exponencialmente maior do que era: por favor, considerem as ordens de evacuação”, disse.
O governador da Califórnia, Jerry Brown, também falou sobre o cenário: “Este não é novo normal, este é o novo anormal. E este novo anormal continuará nos próximos 10, 15 ou 20 anos”.
“Infelizmente, a melhor ciência nos diz que o calor, a seca, todas estas coisas ficarão mais intensos”.
O governador eleito Gavin Newson declarou estado de emergência para levar ajuda às zonas mais afetadas.
O presidente Donald Trump acusou as autoridades locais de má gestão florestal.
“Não há motivos para estes incêndios grandes e mortais na Califórnia, exceto que a gestão florestal é muito ruim”, escreveu Trump no Twitter no sábado.
Brian Rice, diretor dos Bombeiros Profissionais da Califórnia, classificou os comentários de “desinformados, inoportunos e humilhantes para aqueles que estão sofrendo”.
Também disse que as afirmações do presidente sobre má gestão florestal “são perigosamente equivocados”.
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