Inteligência Artificial

Mercado de trabalho em alerta: empresas cortam vagas enquanto IA avança e muda regras

A Inteligência Artificial está provocando demissões em empresas como Amazon e Microsoft, mudando a dinâmica do mercado de trabalho

Estudos indicam que a IA pode eliminar milhões de empregos, mas também criar novas oportunidades em diversas áreas - Imagem: Reprodução

Redação Publicado em 13/07/2025, às 09h48

A Inteligência Artificial (IA) está mudando o mercado de trabalho, e o diretor da Amazon, Andy Jassy, já avisou que a empresa vai diminuir seu número de funcionários porque a IA está começando a fazer o trabalho que antes era de pessoas. Ele acredita que essa tecnologia vai afetar muitos empregos em várias áreas.

Outras empresas também fazem alertas

Várias outras empresas têm dado avisos parecidos. Em maio, o presidente da Anthropic, uma empresa de IA, disse ao site Axios que, em apenas um a cinco anos, a IA pode acabar com metade dos primeiros empregos em áreas que não são manuais.

Desde 2022, empresas grandes nos Estados Unidos já cortaram 3,5% dos seus funcionários de escritório, e um quinto das companhias listadas na S&P 500 diminuíram de tamanho, segundo informações do Wall Street Journal, que citou o Live Data Technologies.

Nos últimos anos, grandes nomes como Microsoft, Hewlett Packard e Procter & Gamble anunciaram milhares de demissões. A loja online Shopify, por exemplo, explicou que suas equipes que pedirem mais gente para trabalhar precisarão provar primeiro que a IA não consegue fazer as tarefas. E o Duolingo, aplicativo de idiomas, planeja trocar seus funcionários externos por inteligência artificial aos poucos.

IA e a via de mão dupla

A Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) calcula que cerca de um quarto dos empregos em todo o mundo correm sério risco de se tornarem desnecessários devido à IA. No entanto, também se espera que a tecnologia crie novas chances de trabalho e aumente a produção.

Segundo uma previsão do Fórum Econômico Mundial, divulgada no começo de 2025, a mudança tecnológica pode eliminar 92 milhões de empregos que existem hoje até 2030, mas, ao mesmo tempo, também criar 170 milhões de novas vagas.

O maior impacto seria em países ricos, com 60% dos empregos afetados, de acordo com uma análise de 2024 do Fundo Monetário Internacional (FMI) – metade deles de forma negativa, e a outra metade, positivamente. Já em países em desenvolvimento, 40% das vagas sentiriam os efeitos da IA, e, nos países mais pobres, 26%. Por outro lado, mesmo sendo menos afetados, esses mercados também ganhariam menos com o aumento de produção que as novas tecnologias prometem.

Em outras épocas de avanço tecnológico, quem mais sofreu foram os trabalhadores com menos qualificação e os que faziam trabalhos manuais, como os operários de fábrica trocados por robôs. Porém, agora a expectativa é que a chegada da IA afete mais os profissionais com mais estudo, em trabalhos de escritório, principalmente onde o que os programas de computador fazem é igual, ou melhor, do que o que um humano consegue.

Um estudo do centro de pesquisas Pew Research Center mostrou que:

Entre os empregos mais ameaçados, estão aqueles que envolvem juntar informações e analisar dados, como criar sites, escrever textos técnicos, contabilidade e colocar dados em sistemas (data entry).
Já entre os que devem resistir mais, estão os trabalhos que exigem muito esforço físico, que são mais difíceis de serem feitos por máquinas, como pedreiros, cuidadores de crianças ou bombeiros.

Diante desse cenário de transformações, a chave para empresas e trabalhadores será a capacidade de se adaptar e de aprender a usar a IA como uma aliada, garantindo que o progresso tecnológico traga benefícios e não a obsolescência.

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