Primeiro caça produzido no país é apresentado a Lula e simboliza avanço estratégico na indústria aeronáutica e na defesa nacional
Redação Publicado em 25/03/2026, às 10h25
O Brasil deu um passo histórico rumo à autonomia tecnológica e à modernização militar com a apresentação do caça supersônico F-39 Gripen. A aeronave, desenvolvida pela Embraer em parceria com a sueca Saab, foi apresentada ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva nesta quarta-feira (25), em Gavião Peixoto, interior de São Paulo.
Trata-se do primeiro caça supersônico com produção nacional, colocando o Brasil em um grupo restrito de países com capacidade de desenvolver aeronaves de combate de alta complexidade — um marco inédito na América Latina.
O F-39 Gripen impressiona pelos números e pela tecnologia embarcada. A aeronave pode atingir velocidades de até 2.400 km/h, operar a 16 mil metros de altitude e percorrer o trajeto entre Rio de Janeiro e São Paulo em cerca de 12 minutos. Além disso, conta com sistemas avançados de sensores, armamentos e guerra eletrônica, preparados para cenários de alta complexidade.
O projeto integra o programa de modernização da Força Aérea Brasileira, conhecido como Projeto FX-2, e substituirá os antigos caças F-5M, em operação há décadas no país.
Mais do que reforço militar, o Gripen representa um salto industrial. O acordo firmado em 2013 prevê transferência de tecnologia da Saab para o Brasil, com participação direta de engenheiros brasileiros em todas as etapas de produção. Cerca de 350 profissionais foram treinados no exterior, e o projeto já gerou milhares de empregos diretos e indiretos.
Dos 36 caças encomendados, 15 terão montagem final em território nacional, fortalecendo a capacidade da indústria brasileira não apenas na fabricação, mas também na manutenção e futuras atualizações das aeronaves.
Durante o evento, Lula também conheceu o protótipo de mobilidade aérea urbana da Eve Air Mobility, subsidiária da Embraer. O chamado “carro voador” — um eVTOL (veículo elétrico de pouso e decolagem vertical) — simboliza o avanço paralelo do país em tecnologias voltadas ao futuro da mobilidade.
A apresentação reforça o papel estratégico do Brasil no cenário global de defesa e inovação, combinando soberania tecnológica, geração de empregos e desenvolvimento industrial.