Estudante de 18 anos relata contatos sem consentimento no mar e afirma ter recebido “conselho” que soou como ameaça; caso é apurado pela Polícia Civil e pelo CNJ
Letícia Sales Publicado em 07/02/2026, às 08h37
Uma denúncia envolvendo um ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) levou a Polícia Civil de São Paulo e o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) a abrirem apurações sobre supostos episódios de contato íntimo sem consentimento e possível intimidação contra uma jovem de 18 anos. A estudante de direito afirma que foi alvo de investidas sexuais atribuídas ao ministro Marco Buzzi durante uma estadia em Balneário Camboriú, em Santa Catarina.
De acordo com o depoimento, o episódio ocorreu no dia 9 de janeiro, enquanto a jovem estava hospedada com os pais em uma casa de praia pertencente ao magistrado, amigo próximo da família. A estudante relata que conhecia Buzzi desde a infância e o enxergava como uma figura de confiança, alguém que costumava aconselhá-la e que teve influência, inclusive, em sua escolha profissional.
Segundo o relato, durante um banho de mar, o ministro teria sugerido que ambos se afastassem do ponto onde estavam, levando-a a uma área menos visível da praia. Já dentro da água, a jovem afirma que foi puxada pelo braço, teve o corpo pressionado contra o do magistrado e sentiu o órgão genital dele em mais de uma ocasião, além de toques nas nádegas, apesar de tentar se desvencilhar.
Após o episódio, ainda conforme a denúncia, o ministro teria feito um comentário que causou forte impacto emocional na estudante. Ele teria dito que ela era “muito sincera” e que deveria ser “menos sincera com as pessoas”, afirmando que isso poderia “prejudicá-la”. A fala foi interpretada pela jovem como uma forma de intimidação.
A família deixou o local logo após tomar conhecimento do relato e retornou ao Paraná e, posteriormente, a São Paulo, onde a denúncia foi formalizada. A estudante afirma que, desde então, enfrenta dificuldades para dormir, tem crises de ansiedade e passou a realizar acompanhamento psicológico e psiquiátrico.
Diante da repercussão do caso, o ministro Marco Buzzi apresentou atestado médico e se afastou temporariamente das funções. Em nota, a defesa negou as acusações e afirmou que o magistrado irá se manifestar no momento adequado, reforçando a importância do devido processo legal e criticando julgamentos prévios.
O caso segue sob análise das autoridades competentes, que devem apurar tanto os fatos narrados quanto eventuais responsabilidades administrativas e criminais.