Glauber Rocha Alves Publicado em 12/05/2025, às 17h12 - Atualizado às 17h12
Sempre acreditei no poder do movimento. Mas, ao longo da minha trajetória como profissional de Educação Física, percebi que nem todos tiveram — ou ainda têm — as mesmas oportunidades de se mover, de ocupar espaços, de transformar o corpo e a mente por meio da atividade física. As pessoas com deficiência, por muito tempo, foram vistas apenas nos contextos de reabilitação, como se o exercício fosse restrito a um tratamento clínico. Mas o exercício físico é, antes de tudo, um direito. Um direito de todos.
Atendo diariamente pessoas com deficiência em academias convencionais. E posso dizer, com segurança, que os benefícios vão muito além do físico. Claro que o corpo responde: melhora a força, o equilíbrio, a mobilidade. Mas o impacto mais profundo acontece na autoestima, na autonomia, no sentimento de pertencimento. Porque, mais do que músculos ou resistência, estamos fortalecendo algo essencial: a ideia de que esse lugar também é meu.
A cada treino, vejo histórias de superação silenciosa. Alunos que antes viam a academia como um ambiente inacessível hoje conquistam espaço, desafiam estigmas e provam que inclusão também se faz com movimento. O treinamento físico adaptado não é um “favor” ou um “diferencial”: é uma necessidade, uma responsabilidade de quem trabalha com saúde e qualidade de vida.
Cada pessoa que chega até mim carrega uma história, uma trajetória única, com desafios específicos — sejam eles motores, neurológicos ou funcionais. E é com respeito a essas singularidades que construo, junto de cada aluno, caminhos possíveis para o movimento acontecer. Porque todos querem (e merecem) se mover, se sentir mais independentes, mais potentes, mais vivos.
Por isso, se você é uma pessoa com deficiência e já pensou que a academia não é para você, quero dizer uma coisa: é, sim. O exercício físico não pertence apenas aos atletas ou aos corpos tidos como “perfeitos”. Ele pertence a todos que desejam mais saúde, mais bem-estar, mais liberdade. Seu corpo tem valor. Seu movimento tem valor. Seu lugar é onde você quiser estar.
E às academias, faço um convite — ou melhor, um apelo: a inclusão precisa sair do discurso e entrar na prática. É hora de adaptar os espaços, investir em acessibilidade, capacitar profissionais, criar uma cultura real de acolhimento. As pessoas com deficiência estão aqui, querem entrar, querem participar. Querem ser tratadas com respeito, segurança e dignidade.
A verdadeira inclusão acontece quando todos os corpos são vistos, respeitados e estimulados a se mover. O treinamento físico adaptado em academias comuns é mais do que uma prática: é um caminho para saúde, autonomia e cidadania. Eu sigo nesse caminho todos os dias, e convido você, profissional ou gestor, a construir essa ponte comigo.
Porque saúde não é privilégio. Movimento não é privilégio. Inclusão não é privilégio. É direito.
— Glauber Rocha Alves
Profissional de Educação Física (CREF: 165447G/SP)
Especialista em Neurologia Clínica Aplicada à Reabilitação e Treinamento Físico Adaptado
Atendimento a pessoas com deficiência em academias convencionais
Instagram: @glauber.neuropersonal | Contato: glauber.Neuropersonal@gmail.com