Resultados de fase 1 mostram que 68% dos pacientes desenvolveram resposta imunológica robusta contra mutações KRAS
Redação Publicado em 11/08/2025, às 14h46
Uma vacina experimental destinada a estimular o sistema imunológico no combate ao câncer revelou resultados alentadores em pacientes diagnosticados com tumores de pâncreas e colorretal, que estão entre os mais agressivos e letais. Os dados finais de um estudo clínico de fase 1 foram divulgados nesta segunda-feira (11) na revista Nature Medicine.
De acordo com as informações do estudo, o tratamento demonstrou a capacidade de aumentar o tempo de sobrevida dos pacientes e diminuir a incidência de recorrência do câncer em alguns casos. A vacina, denominada ELI-002 2P, é uma solução não personalizada, permitindo sua produção em larga escala e armazenamento como um produto convencional.
A vacina foi administrada a 25 pacientes que já haviam concluído os tratamentos padrão, incluindo cirurgia e quimioterapia, mas ainda apresentavam indícios da doença no sangue. Os pesquisadores destacaram que 68% dos participantes desenvolveram uma resposta imunológica robusta contra a mutação KRAS, frequentemente associada a esses tipos de câncer. Aqueles que apresentaram respostas mais significativas das células T, um tipo essencial de célula imunológica, tiveram uma sobrevida prolongada e passaram mais tempo sem sinais da doença.
O funcionamento do ELI-002 2P está relacionado à sua ação direta nos linfonodos, onde são coordenadas as principais respostas imunes do organismo. Ao ser aplicada, a vacina transporta pequenos fragmentos mutantes do gene KRAS para esses linfonodos, facilitando que o sistema imunológico reconheça e ataque as células cancerosas que apresentam essas mutações.
Embora o foco tenha sido nas mutações mais comuns, os cientistas notaram que alguns pacientes conseguiram gerar respostas contra variações adicionais do KRAS presentes em seus tumores, mesmo não inclusas na formulação da vacina. Isso sugere que o imunizante pode também promover reações personalizadas de maneira indireta.
Em termos numéricos, dos 25 pacientes envolvidos no estudo, 20 apresentavam câncer de pâncreas e cinco tinham câncer colorretal. O acompanhamento médio dos participantes durou cerca de 20 meses. No grupo com câncer de pâncreas, os resultados foram impressionantes:
Sobrevida média total: 29 meses
Tempo livre de recorrência: mais de 15 meses
Esses números superam as estatísticas históricas relacionadas a esses tipos de câncer após tratamentos convencionais.
A relevância deste avanço é significativa, especialmente no contexto do câncer de pâncreas, que apresenta uma das taxas de mortalidade mais elevadas devido à alta probabilidade de retorno da doença mesmo após intervenções cirúrgicas e quimioterápicas. Vacinas como a ELI-002 2P podem se tornar ferramentas valiosas na manutenção do controle da doença a longo prazo dentro de um plano terapêutico abrangente.
"Essa vacina pode ajudar a treinar o sistema imunológico para reconhecer mutações específicas do tumor e prevenir recidivas", comentou Zev Wainberg, oncologista da Universidade da Califórnia e líder do estudo.
No momento, a ELI-002 2P está sendo testada em um estudo clínico de fase 2 com um número maior de pacientes e um modelo comparativo mais rigoroso para validar os resultados iniciais obtidos.
Para aqueles interessados em explorar os detalhes do estudo completo (em inglês), o artigo está disponível na Nature Medicine.