Vacina contra chikungunya

Mirassol inicia vacinação inédita contra chikungunya no Brasil

Cidade do interior paulista é escolhida como piloto para aplicação do imunizante desenvolvido pelo Butantan em parceria internacional

Embora a vacina ainda não esteja disponível para todos, a experiência em Mirassol pode abrir caminho para sua ampla distribuição - Imagem: Reprodução/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 24/02/2026, às 09h44

Mirassol, no interior de São Paulo, tornou-se a primeira cidade brasileira a iniciar a vacinação contra a chikungunya. A campanha começou no início de fevereiro e utiliza o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica franco-austríaca Valneva.

A ação é voltada para pessoas com 18 anos ou mais e integra uma estratégia conjunta entre o governo estadual, o Ministério da Saúde e secretarias municipais. Ao todo, dez municípios foram selecionados para a implementação inicial da vacina, que representa um marco no enfrentamento da doença no país.

A chikungunya é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, o mesmo vetor da dengue, e pode causar febre alta, dores intensas nas articulações e, em alguns casos, complicações crônicas que comprometem a qualidade de vida por anos.

Eficácia e segurança

A vacina já recebeu aprovação de agências regulatórias internacionais, como a Food and Drug Administration (FDA), nos Estados Unidos, e a European Medicines Agency (EMA), na União Europeia. No Brasil, o registro foi concedido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) após análise de dados de qualidade, segurança e eficácia.

Em estudo conduzido com cerca de 4 mil voluntários nos Estados Unidos, 98,9% dos participantes desenvolveram anticorpos contra o vírus, com resposta imune mantida por pelo menos seis meses. Os resultados foram publicados na revista científica The Lancet.

Já em ensaio clínico de fase 3 realizado com adolescentes brasileiros, houve produção de anticorpos neutralizantes em praticamente todos os voluntários, com manutenção da proteção após seis meses, conforme publicação na The Lancet Infectious Diseases.

Os eventos adversos relatados foram, em sua maioria, leves ou moderados, como dor de cabeça, febre, fadiga e dores musculares.

Como funciona

O imunizante é composto por vírus vivo atenuado, ou seja, utiliza uma versão enfraquecida do vírus chikungunya para estimular o sistema imunológico sem causar a doença. A fabricação inicial ocorre na Alemanha, pela IDT Biologika GmbH, mas o Butantan trabalha para nacionalizar parte da produção no futuro.

Importância para a saúde pública

De acordo com dados do Ministério da Saúde, até agosto de 2024 foram registrados mais de 254 mil casos prováveis de chikungunya no Brasil, aumento de 45,5% em comparação com o mesmo período do ano anterior. A doença está presente em mais de 110 países, segundo a Organização Mundial da Saúde.

Sem tratamento específico, a prevenção se torna essencial. Além da vacinação, autoridades reforçam a importância de eliminar criadouros do mosquito, evitando água parada em recipientes e descartando corretamente o lixo.

Ainda não há previsão de quando a vacina estará disponível para toda a população, mas a experiência em Mirassol pode pavimentar o caminho para uma futura incorporação ampla no sistema público de saúde.

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