Data é lembrada neste sábado (23), e foi instituída em 4 de abril de 2008, com o objetivo de incentivar ações educativas e preventivas, além de promover atenção integral às crianças acometidas pela doença
William Oliveira Publicado em 23/11/2024, às 11h57
O Brasil poderá enfrentar, entre 2023 e 2025, uma média anual de 7.930 casos de câncer em crianças e adolescentes com até 19 anos, conforme estimativa do Instituto Nacional do Câncer (Inca). O Ministério da Saúde aponta que esse número representa um risco calculado de 134,81 casos por milhão nessa faixa etária.
As projeções indicam que cerca de 4.230 novos casos devem ocorrer em meninos, enquanto as meninas podem registrar aproximadamente 3.700 casos. Dados do Inca revelam que o câncer pediátrico compõe cerca de 3% do total de diagnósticos oncológicos, quando comparados aos dados de adultos e crianças.
Este sábado (23) marca o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil, instituído em 4 de abril de 2008, com o objetivo de incentivar ações educativas e preventivas, além de fomentar debates sobre políticas públicas destinadas à atenção integral às crianças acometidas pela doença e ao apoio a seus familiares.
O número de procedimentos relacionados ao câncer infantil no Sistema Único de Saúde (SUS) tem apresentado crescimento nos últimos anos. Em 2021, foram realizadas 10.108 cirurgias; em 2022, o número subiu para 10.115; e em 2023, atingiu 10.526. Os tratamentos por quimioterapia também variaram: 16.059 em 2021, 15.798 em 2022 e um aumento para 17.025 em 2023.
Para a doutora Arissa Ikeda Suzuki, especialista em Oncologia Pediátrica no Inca, o aumento na incidência do câncer infantojuvenil pode estar relacionado a um maior número de diagnósticos devido ao avanço tecnológico, que aprimora a capacidade dos profissionais em identificar a doença. Esse progresso também contribui para um aumento nas taxas de cura.
"A gente vem observando que tem aumentado [o número de casos], mas graças a Deus também tem uma evolução da melhoria da curabilidade delas. Apesar de a gente não conseguir curar totalmente 100% dos casos, temos tido uma evolução da questão da sobrevida ao longo desses anos, uma melhoria, com maior suporte e diagnóstico mais exato, com estudos moleculares que permitem outros tipos de tratamento, além da químio, da radioterapia e da cirurgia. Todos esses avanços estão sendo observados ao longo dessas décadas", afirmou a médica em entrevista à Agência Brasil.
Anualmente, o Inca atende entre 250 a 300 pacientes pediátricos com câncer, dos quais cerca de 16 a 20 ficam internados na unidade localizada na Praça da Cruz Vermelha, no Rio de Janeiro.
A internação é destinada aos pacientes mais graves ou que necessitam de diagnóstico rápido. Nem todos os novos pacientes precisam ser internados mensalmente; muitos são acompanhados ambulatorialmente durante todo o tratamento.
Os tipos mais comuns de tumores em crianças incluem leucemias e tumores do sistema nervoso central, além dos linfomas. Entre os adolescentes, destacam-se neoplasias hematológicas e carcinomas.
Apesar dos desafios, o câncer infantojuvenil apresenta características que possibilitam respostas mais eficazes à quimioterapia em comparação com tumores em adultos. Entretanto, sintomas iniciais inespecíficos dificultam o diagnóstico precoce.
Nos países desenvolvidos, as taxas de cura alcançam até 85%, enquanto no Brasil situam-se próximas a 80%. O avanço tecnológico tem sido crucial para melhorar a sobrevida dos pacientes no Brasil.
O conhecimento crescente entre os profissionais da saúde sobre o câncer infantojuvenil tem favorecido diagnósticos precoces, particularmente nas redes públicas, onde campanhas educacionais têm capacitado médicos para identificar precocemente sinais suspeitos da doença.