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Não existe fórmula mágica para realizar um sonho

Não existe fórmula mágica para realizar um sonho - Imagem: Reprodução | Freepik

Reinaldo Polito Publicado em 15/12/2024, às 07h11

Há conquistas que exigem uma existência para se concretizar. Outras, porém, surgem num piscar de olhos. Meus dois livros mais vendidos ilustram essa condição de forma marcante: enquanto um deles levou cerca de uma década para ser concluído, o outro foi escrito em apenas três dias. Ambos, todavia, foram feitos com muito zelo e dedicação absoluta.

Meu primeiro livro, Como falar corretamente e sem inibições, só foi publicado nove anos depois que comecei a escrevê-lo. Consumi esse tempo por dois motivos: minha inexperiência como escritor e meu excesso de perfeccionismo.

Nunca estava satisfeito

No início, minha falta de prática falava mais alto. Escrevia um capítulo e, depois de deixá-lo “descansar” por alguns dias, voltava a ele e encontrava palavras repetidas, frases desalinhadas e uma coesão frágil entre os parágrafos. Refazia quase tudo, várias vezes. Não me incomodava. Sabia, já naquela época, que escrever se aprende escrevendo e que, para o livro atingir o nível que eu desejava, precisava ser bem-feito.

Meu perfeccionismo tornava o processo ainda mais longo. Passava semanas garimpando trechos de discursos para ilustrar as técnicas de comunicação que ensinava. Quando finalmente encontrava um exemplo, avaliava se ele vestia perfeitamente a ideia. Raramente ficava satisfeito. Voltava a pesquisar até descobrir um que me convencesse plenamente. Sem pressa, sem pressão, pois minha meta era a de escrever um livro que realmente ajudasse os leitores.

O desafio de encontrar uma editora

Depois de anos trabalhando no manuscrito, compartilhei a novidade com meus alunos. Um deles, Nilson Lepera, gerente comercial da Editora Saraiva, que mais tarde se tornaria diretor da organização, me perguntou se já tinha editora. Eu disse que não, e ele acenou com uma possibilidade: "Assim que terminar, me procure."

Quando o livro estava pronto, levei os originais para ele. Recebi uma ducha de água fria. Nilson explicou que a editora era especializada em livros jurídicos e didáticos e que meu trabalho se encaixava em “interesse geral” — um segmento literário que a Saraiva não possuía. Agradeci e fui atrás de outras editoras, ingenuamente acreditando que estariam interessadas no meu trabalho.

Enviei os originais para todo o mercado editorial. A maioria nem respondeu. As poucas empresas que o fizeram foram sucintas: "Não temos interesse." Percebi que este era um setor difícil de penetrar. Depois de esgotar as tentativas, resolvi publicar o livro por conta própria. Levantei os custos de revisão, diagramação e impressão. Antes de seguir adiante, entrei em contato com o Nilson para avisá-lo.

Para minha surpresa, ele reagiu com veemência: "Não faça isso, Polito. Resolvi peitar esse projeto e abrir o segmento com o seu livro. Tenho certeza de que será um sucesso."

E assim foi. A Saraiva lançou o livro, que se tornou um best-seller. Com 113 edições, mais de 700 mil exemplares vendidos e distribuição em 39 países, Como falar corretamente e sem inibições permaneceu por mais de três anos nas listas de mais vendidos, chegando ao primeiro lugar em várias delas.

Três dias para o sucesso

O outro livro que obteve êxito, Superdicas para falar bem, percorreu uma trajetória completamente distinta. Eu o escrevi em apenas três dias. Essa rapidez não prejudicou a qualidade, pelo contrário. A obra vendeu mais de 400 mil exemplares em dezenas de países, também permaneceu por anos nas listas dos mais vendidos e abriu caminho para uma série intitulada Superdicas.

A série foi tão vitoriosa que emplacou seis títulos simultaneamente na lista dos mais vendidos da Veja. Na Itália, Superdicas para falar bem ganhou o título I Superconsigli - Parlare bene per convincere ed essere protagonista e conquistou os leitores italianos, dando origem à série I Superconsigli, que coordeno naquele país.

Não existe fórmula mágica

Um grande aprendizado. Não há receita mágica para transformar um livro em best-seller. Enquanto Como falar corretamente e sem inibições levou nove anos para ser concluído, Superdicas para falar bem nasceu em apenas três dias. Dos 37 livros que escrevi, esses dois foram os que atingiram maior sucesso. Se me perguntarem o motivo, não saberei explicar.

O que sei é que, independentemente do tempo que cada obra demandou, todas foram feitas com dedicação e empenho. Talvez a explicação esteja no fato de ter feito tudo com cuidado e capricho, sempre pensando em como ajudar as pessoas.

Desde o seu lançamento, Como falar corretamente e sem inibições e Superdicas para falar bem ajudaram, ajudam e continuarão ajudando muitos a falar com desembaraço e eficiência. E essa é a maior recompensa a que um autor pode aspirar.

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