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Lula venceria as eleições se os adversários continuassem a ser ninguém

Presidente Luiz Inácio Lula da Silva - Imagem: Reprodução / Agência Brasil / Marcelo Camargo

Reinaldo Polito Publicado em 12/10/2025, às 08h55

Os petistas e boa parte da imprensa vocacionada à esquerda estão exultantes com as últimas pesquisas. Em todos os cenários, Lula vence com folga seus adversários. E não é vitória apertada, daquelas que permitem virada da noite para o dia. Não, em todas as combinações o presidente ganha de lavada.

Só para dar uma ideia da goleada, as hipóteses mais desfavoráveis para Lula no 2º turno são as que ele fica 9 pontos à frente de Ciro Gomes e 10 de Jair Bolsonaro. Os outros se apresentam quase invisíveis na poeira da retaguarda: 12 à frente de Tarcísio e 13 de Ratinho Jr. Daí para trás, os concorrentes não pagam nem placê: 15 de Zema, Caiado e Eduardo Bolsonaro, e 23 de Eduardo Leite.

Pesquisas divergentes

Diante desses percentuais avassaladores, é só tirar a faixa da gaveta, dar uma passadinha para eliminar o amassado e vesti-la. Não tem para ninguém. O homem é imbatível. É só montar uma defesa e um meio de campo eficientes, não fazer besteira e dar chutão para frente e para as arquibancadas.

Mas será que o quadro é tão favorável assim? Não há algum equívoco nesse otimismo todo? Esse resultado alvissareiro foi apontado pela Genial/Quaest no dia 9, quinta-feira. Os outros institutos acompanharam? A GERP, por exemplo, em levantamentos recentes, mostra dados distintos. Aponta vitória de Bolsonaro, Michelle e Tarcísio no 2º turno.

Ainda nessa divergência entre os institutos, a GERP indica empate técnico no 2º turno entre Lula, Ratinho Jr., Eduardo Bolsonaro e Ciro Gomes, nomes escanteados na Quaest.

A um ano das eleições, essas pesquisas precisam ser vistas com cautela. Essa vitória estonteante apontada pela Quaest, que tanto entusiasmo provoca nos governistas, se sustenta em suposições quase incompreensíveis, pois incluem na disputa candidatos que ainda não se declararam dispostos a entrar nessa corrida.

Os candidatos robustos ainda não decidiram

Tarcísio Gomes de Freitas, governador de São Paulo, vive insistindo que, para ele, o candidato continua sendo Jair Bolsonaro, pois acredita que o ex-presidente reverterá sua inelegibilidade. Ora, como alguém que afirma não ser um dos competidores poderia ser escolhido? Assim como Michelle, que ainda não revelou suas intenções, e Eduardo, que está sem condições de voltar ao país.

Por outro lado, Lula está em campanha desde o primeiro dia do seu mandato. Vive dizendo abertamente que deseja a reeleição. Tenta compor com os parlamentares, concede verbas, abre possibilidade de cargos nos mais diversos escalões. Ou seja, já colocou os dois pés na estrada.

Competindo com ninguém

Por enquanto, portanto, ele não tem adversários. Somente aqueles que possuem poucas chances é que se declararam, como o caso de Caiado e Zema. Nem Ciro, que é um dos nomes mais destacados na pesquisa, disse que pretende concorrer.

Assim, essa euforia de Lula e de todos os que torcem por ele se baseia na competição dele com ninguém. Só quando um desses nomes robustos disser que vai entrar na luta o jogo começará para valer. Até lá, é só espuma retórica. Vamos a algumas hipóteses.

Como ficaria a disputa com candidatos graúdos

A primeira, e mais difícil de se concretizar, é que Bolsonaro seja libertado e reconquiste sua elegibilidade. Com todas as agruras que tem enfrentado, mostrar-se-ia diante dos eleitores como vítima do sistema. Não é difícil deduzir que teria essa condição como decisivo cabo eleitoral.

Da mesma forma, Tarcísio ou Michelle, recebendo o aval do ex-presidente, atingiriam outro patamar na preferência eleitoral. O próximo ano será decisivo na escolha dos candidatos. Aí sim, com o quadro estabelecido, Lula poderá medir suas possibilidades. 

Lula precisa mostrar serviço

Para ratificar os números otimistas da Quaest, o governo precisa mostrar serviço. Não será com essa gana desenfreada para aumentar impostos e a resistência em cortar gastos públicos que irá dar rumo ao país. Outro ponto a ser considerado é a taxação imposta pelos Estados Unidos. Se essa questão não for solucionada, haverá quebra de empresas e perda de empregos.

Sem contar as sanções impostas a ministros e colaboradores próximos do presidente. Quem ironizou essas iniciativas americanas no início agora começa a perceber a gravidade das medidas adotadas por Trump. Quem corre o risco de entrar na mira de Marco Rubio já pensa duas vezes se vale a pena continuar defendendo determinadas causas.

São inúmeras equações dentro desse complexo tabuleiro. E todas acabam convergindo para um ponto: as eleições presidenciais de 2026. Nem uma bola de cristal ajudaria a desvendar esse imbróglio. Há apenas uma certeza: ninguém pode hoje cantar vitória, pois a realidade amanhã terá, certamente, outra fisionomia. 

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