Reinaldo Polito Publicado em 09/11/2025, às 10h15
Pesquisa fresquinha pode ter se tornado um transtorno para os governistas. Sem dizer ainda que é candidata, segundo levantamento do Instituto GERP, divulgado na sexta-feira, 7, Michelle Bolsonaro venceria Lula no 2º turno por 47% a 44%.
Michelle não tem experiência administrativa, nunca ocupou cargo que lhe desse respaldo para comandar o país, mas possui discurso impactante que toca o coração dos eleitores. Nas andanças pelo país afora como presidente do PL Mulher, foi aperfeiçoando a maneira de se dirigir ao público. Viu o que dava certo em suas apresentações e o que não provocava impacto na plateia. Poliu a mensagem na medida exata para o gosto do eleitorado.
Bater nos juros altos é uma velha prática
Enquanto isso, com a preocupação de oferecer políticas eleitoreiras, o governo perdeu tração junto à população. A conversa não muda há décadas. No passado, era José Alencar quem esbravejava contra os juros. Até por esse motivo, foi considerado um vice perfeito.
Empresário bem-sucedido, leal ao chefe e discreto, não se intrometia quando não era chamado. Havia, porém, uma exceção. Toda vez que Lula viajava, Alencar pegava o trombone e desancava os juros elevados do país. Criticava a política do Banco Central como se o governo não tivesse nada a ver com o assunto.
Lula batia em Campos Neto
Lula chegava de suas andanças e o vice voltava à quietude costumeira. De certa forma, fazia o papel sujo. Como era conveniente para o presidente não meter a mão em cumbuca, contava com um aliado da própria cozinha para falar o que o governo gostaria de dizer caso não estivesse tão comprometido com a causa.
Na oposição, Lula não perdia uma oportunidade para criticar a política de juros do Banco Central. Dizia, com todas as letras, que a culpa era de Campos Neto. Assim que assumisse o governo, acabaria com essa prática, pois colocaria na presidência alguém preocupado com o bem-estar da população.
Galípolo continuou com os juros altos
Entrou Galípolo, e tudo continuou como dantes, no quartel de Abrantes. Num primeiro momento, Haddad tentou justificar. Disse que a decisão do Copom de manter as taxas de juros elevadas estava prevista desde a gestão anterior. E mais: que não seria adequado fazer um cavalo de pau. Tudo a seu tempo.
Só que o tempo passou e nada mudou. Na quarta-feira, 5, o Comitê de Política Monetária manteve a Selic em 15%, a mais alta em quase 20 anos. Os motivos para a taxa tão elevada estão ligados ao risco de inflação e às tretas comerciais com os Estados Unidos, sem previsão de derrubar o tarifaço sobre exportações.
O BC segura de um lado, o governo gasta do outro
A conta não fecha. Se, por um lado, juros altos são o freio para segurar a economia e conter a inflação, por outro, o governo não move um dedo para colaborar. É como se não tivesse nada a ver com a história. A cada dia, procura “desenvolver” a economia injetando alguns bilhões de reais.
As medidas populistas pré-eleitorais produzem crateras assustadoras. É muita grana. Estudos do Senado mostram que o rombo provocado pela reforma do Imposto de Renda pode superar R$ 4 bilhões. E não para por aí. Outras medidas simpáticas e eleitoreiras seguem no radar.
Políticas eleitoreiras
Já se fala em acabar com o limite do Programa Pé-de-Meia; tarifa zero para o transporte público em todo o país; R$ 5 bilhões por ano para projetos estratégicos de defesa. O que não falta é política para agradar o eleitor até 2026. A pergunta é: quem vai pagar essa conta? A população já não aguenta mais aumentos de impostos.
E, como disse Margaret Thatcher, não existe dinheiro público, e sim dinheiro do público. É do bolso do contribuinte que sairão os recursos para bancar gastos que podem até ser necessários, mas soam fora de propósito diante da realidade do país.
Michelle venceria Lula
Por enquanto, o governo finge que a culpa dos 15% não é dele, e sim daqueles “irresponsáveis malvadões” que ficam sentados numa sala com ar-condicionado estabelecendo políticas monetárias para prejudicar a população. Só que esse jogo de empurra não engana mais ninguém.
As pessoas não sabem dizer bem quais são as causas, mas sentem que sair do supermercado com o carrinho meio vazio é um fenômeno que se intensificou. Portanto, noves fora nada, já sabem para quem apontar o dedo.
Por isso, talvez, Michelle esteja conquistando essa parcela expressiva do eleitorado. Pode até ser um voto de protesto. A “prisão iminente” de Bolsonaro virou fato político, com o STF julgando recursos e formando maioria para manter a condenação, e muita gente vê Lula como culpado pelos desacertos da economia. Pelo sim, pelo não, a ex-primeira-dama vai derrubando um dos maiores líderes políticos da história do país. Não é pouca coisa, não. Siga pelo Instagram: @polito