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Com uma canetada, Trump livra Moraes da Magnitsky e dá presente a Lula

Com uma canetada, Trump livra Moraes da Magnitsky e dá presente a Lula - Imagem: Reprodução / Ricardo Stuckert / PR

Reinaldo Polito Publicado em 14/12/2025, às 09h31

Lula foi o grande vencedor na decisão dos Estados Unidos de revogar a aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Lex Instituto de Estudos Jurídicos, ligado à família. O presidente está sorrindo de orelha a orelha com a notícia.

Primeiro, porque conseguiu demonstrar ao mundo a força das instituições brasileiras. Sem se rebelar, apenas agindo diplomaticamente, foi se aproximando de Trump na tentativa de convencê-lo a retirar as sanções. Segundo, porque se aproxima ainda mais do Judiciário num momento em que o Legislativo se mostra resistente às ações do Executivo.

A credibilidade dos EUA em jogo

Nem mesmo os mais otimistas do governo acreditavam nesse desfecho tão positivo. Embora os discursos fossem no sentido de que a justiça seria feita e as sanções encerradas, no fundo sabiam que havia riscos. Entre eles, o de comprometer a credibilidade americana. Como explicar a aplicação de uma lei tão severa para, pouco tempo depois, reconhecer que haviam se equivocado?

É preciso lembrar que, no início, representantes do governo brasileiro sequer eram recebidos para negociar com os americanos. Segundo conversas que circulavam em blogs e bastidores políticos, havia até a possibilidade de novas sanções contra outras autoridades. Daí a necessidade de cautela para que o assunto não descambasse para um cenário mais preocupante.

Trump foi abrindo o flanco

Trump começou, aos poucos, a dar sinais de que algo poderia acontecer. No dia 2, terça-feira, conversou com Lula por cerca de 40 minutos. Logo depois, publicou mensagem afirmando: “Aguardo com expectativa o reencontro com ele em breve. Muitas coisas boas virão dessa parceria recém-formada”.

A oposição, incrédula, imaginava tratar-se de mais uma estratégia do presidente americano. Trump sempre foi useiro e vezeiro em elogiar chefes de Estado para, em seguida, endurecer as exigências, sobretudo na área comercial. Julgavam, portanto, que suas palavras serviam apenas como tática de negociação.

Cada um com suas conveniências

Não eram frases vazias. Tudo indica que Trump aguardava uma justificativa conveniente para cancelar as sanções sem que a imagem de seu país saísse enfraquecida. Como cada grupo interpreta os fatos conforme suas conveniências, opositores passaram a alegar que o avanço do PL da dosimetria teria servido como a “porta de saída” que o americano buscava.

Os governistas discordaram. Disseram que já tinham conhecimento da decisão havia cerca de uma semana e que os desdobramentos da dosimetria não teriam relação com o fim das sanções. Argumentaram, ainda, que uma decisão dessa natureza exige análise, estudo e negociação, não podendo ser tomada de afogadilho, em apenas 48 horas.

Tentando fazer uma limonada

A oposição tentou faturar politicamente a derrota que sofreu. O senador Flávio Bolsonaro afirmou que o gesto de Trump teria sido decisivo para a pauta da anistia. Algumas fontes mencionam que essa tese chegou a ser aventada por assessores do Departamento de Estado americano.

A estratégia permitiria evitar a narrativa de enfraquecimento no trabalho de convencimento de Trump para manter a pressão sobre Moraes, ao mesmo tempo em que preservaria a defesa de Bolsonaro. O assunto, porém, saiu da raia miúda e passou a ser tratado em níveis mais elevados do governo trumpista.

Oposição nas cordas

O que se pode dizer é que Lula, embora tenha vacilado no início ao confrontar Trump com discursos mais agressivos, foi gradualmente abandonando a beligerância e apostando numa relação mais amistosa. A mudança de comportamento parece ter surtido efeito.

A oposição, apesar de comemorar possíveis ganhos laterais em torno da anistia, sabe que saiu chamuscada no processo. Lula não conta apenas com uma foto ao lado de Trump para alimentar seu marketing político. Agora, dispõe de um trunfo mais concreto.

Palavras de agradecimento

Alexandre de Moraes, inclusive, agradeceu publicamente ao presidente pelo empenho em defesa das instituições brasileiras. Lula ouviu as palavras com satisfação visível. Depois de tantas críticas ao governo, o episódio pode se transformar numa carta relevante, desde que bem manejada.

Defender instituições pode ser uma boa atitude. Defender abertamente um integrante específico do Judiciário, num contexto de desgaste de imagem desse poder junto à população, entretanto, pode se transformar em armadilha. Calibrar esse discurso exigirá habilidade retórica e leitura cuidadosa do humor do eleitorado.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro cresce nas pesquisas e pode se tornar um adversário duro, sobretudo na defesa da imagem do pai e nas críticas aos eventuais excessos do governo. Este é o ponto: quem defende duas causas ao mesmo tempo, neste caso Executivo e Judiciário, precisa ter argumento para provar que os dois são bons. Se um não agradar, os dois perdem.

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