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Alguns políticos roubam e ficam impunes

Alguns políticos roubam e ficam impunes - Imagem: Reprodução / Freepik

Reinaldo Polito Publicado em 22/12/2024, às 08h32

Embora haja pessoas sérias na política, o número de aproveitadores e desonestos parece superar em muito o dos íntegros. E a constatação desse fato nos frustra e sempre irá nos surpreender. Distantes dos padrões de honestidade e de boa conduta que deveriam ser o norte na vida de todos, eles continuam a ser apanhados metendo a mão no dinheiro público como se fizessem retiradas de suas próprias contas correntes.

A ladroagem não é “privilégio” dos tempos atuais; é uma prática presente na nossa sociedade desde que o mundo é mundo. Compreender como esses gatunos proliferam em nosso meio é um mistério que pode ser desvendado com análise e observação atentas. Como afirmou Edmund Burke: "O único requisito para que o mal triunfe é que os homens bons não façam nada."

Cada sociedade com seus princípios éticos

Vamos arregaçar as mangas e buscar explicações para os motivos que pavimentam esses descaminhos. O primeiro ponto a ser considerado é que são as condutas morais que comandam as ações sociais. Os princípios morais são particulares e específicos de cada sociedade. Tudo depende da sua história cultural e do contexto em que está inserida. O que é certo para alguns pode ser vergonhoso para outros.

Nosso olhar é crítico para os costumes do passado

Por exemplo, em certas tribos indígenas, roubar cavalos era uma ação admirada entre os guerreiros. Havia o costume, em alguns feudos da Idade Média, de que as moças se mantivessem virgens até se casarem. A lei determinava, entretanto, que o direito à primeira noite não era reservado ao noivo, mas sim ao nobre, proprietário das terras.

Com o distanciamento do tempo, observamos esses costumes, que antes eram naturais, como práticas que hoje nos deixam estarrecidos. Da mesma forma, é possível deduzir que em algum momento no futuro, as nossas condutas poderão parecer estranhas a quem nos suceder.

Não roubar é mandamento de Deus

São esses princípios, todavia, que sustentam a estrutura da vida em sociedade. Sem eles, as pessoas não se respeitariam e a convivência social seria impraticável.

Entre essas regras destaca-se a determinação de não roubar, que, além de ser um mandamento de Deus, é um requisito moral que reflete um valor ético mais amplo, necessário e premente na esfera humana. Quando, todavia, 'sua excelência' toma para si os recursos da população, passa por três estágios até chegar à degradação moral:

Deixou de ter medo. A convicção de que não haveria qualquer tipo de punição foi tão clara que ele não sentiu medo de receber penas pelo seu ato ilícito. Se alguém teme ser punido, conterá seus ímpetos e não cometerá o crime. Como bem nos lembra Hannah Arendt: "A punição é a forma mais eficaz de prevenção, pois coloca em xeque aqueles que consideram o crime um negócio lucrativo."

Deixou de se envergonhar. A frase “ele nem fica vermelho” pode ser traduzida como não se sentir desconsiderado ou censurado por não ter princípios éticos. A vergonha é uma importante trava para os desvios sociais. Ao cometer o crime, esse político não sente vergonha de ser ridicularizado ou menosprezado pela sociedade, pois a falta de escrúpulos e de princípios já se instalou de forma tão acentuada no seu caráter que essas circunstâncias não abalam seu sono.

Não se sentiu culpado. Flávio Gikovate, um dos nomes mais destacados na psiquiatria brasileira, afirma: "Culpa é a capacidade de se colocar no lugar do outro. Quando sentimos na própria pele o mal que fazemos à outra pessoa, estamos experimentando o sentimento da culpa." Se um político desvia dinheiro destinado à compra de remédios ou merendas escolares, a culpa não figura entre suas preocupações.

Quem deve ser admirado

Políticos merecem aplausos e respeito quando possuem princípios éticos tão sólidos que, antes de temer a punição, sentiriam culpa e vergonha por qualquer desvio.

A esperança está no fato de sabermos que ainda podemos contar com pessoas sérias no meio político. O que precisamos é aprender a nos defender dos corruptos e levianos. Como alguns políticos ultrapassam a linha entre certo e errado e, por isso, não sentem culpa ou vergonha pelos crimes que cometem, resta-nos garantir que pelo menos sintam medo de ser punidos nas urnas, caso não se comportem como deveriam.

A maior arma à nossa disposição é o voto, e sabemos que eles têm pavor de perder eleições. É dessa forma que devemos agir. A cada dois anos, temos condições de tirar do cargo os políticos que não se comportaram de acordo com suas funções. Em breve iremos às urnas novamente. Que tal usarmos nosso voto para afastar de vez esses malfeitores da política?

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