Governador afirmou que a legislação precisa prever mecanismos de segurança para policiais, juízes e agentes públicos ameaçados pelo crime organizado
Lívia Gennari Publicado em 17/09/2025, às 15h46
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), declarou em coletiva de imprensa nesta terça-feira (16) que o ex-delegado-geral Ruy Ferraz Fontes, morto a tiros no litoral paulista, não havia solicitado proteção oficial ao Estado, apesar de ser alvo de ameaças do Primeiro Comando da Capital (PCC).
De acordo com Tarcísio, a concessão de escolta depende de um pedido formal da autoridade ameaçada, que passa por análise do governo que verifica a gravidade da situação. No caso do doutor Ruy, não houve nenhuma solicitação nesse sentido.
O governador destacou que o assassinato do ex-delegado reacendeu o debate sobre a necessidade de expandir mecanismos de proteção a policiais, juízes e agentes públicos que atuam no enfrentamento ao crime organizado.
“Não existe isso hoje no nosso regramento, não existe isso na nossa legislação, mas é algo que a gente tem que parar pra pensar. Autoridades, pessoas que se dedicam ao combate ao crime organizado... Depois elas saem [do cargo], mas a memória do crime fica. Então, a gente tem que proteger essas pessoas”, afirmou.
Tarcísio acrescentou que a prioridade do governo é esclarecer o crime e punir os responsáveis.
“A melhor homenagem que podemos prestar ao doutor Ruy é dar uma resposta firme, solucionando o caso e responsabilizando os envolvidos”, completou.
O crime
Ruy Ferraz foi alvo de mais de 20 disparos de fuzil na noite de segunda-feira (15), no bairro Nova Mirim, em Praia Grande. O ex-delegado tentou fugir da mira dos criminosos, mas acabou colidindo o carro em um ônibus. Os criminosos desceram de outro veículo e efetuaram os disparos. Após fuga, incendiaram o automóvel usado na execução.
Investigação
O secretário de Segurança Pública, Guilherme Derrite, informou nesta quarta-feira (17), que dois suspeitos já foram identificados pela Polícia Civil. Um deles tem quatro passagens pela polícia; o outro, morador de Praia Grande, foi levado ao Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) para averiguação.
Até agora, oito mandados de busca e apreensão foram cumpridos na capital e na região metropolitana. A mãe de um dos investigados também prestou depoimento.