Investigações

STF inicia julgamento que pode transformar Eduardo Bolsonaro em réu por coação

Voto de Moraes abre caminho para decisão final da Primeira Turma nas próximas semanas

Eduardo Bolsonaro, atualmente nos EUA, é acusado de intimidar a Justiça para impedir condenação de seu pai, Jair Bolsonaro - Imagem: Reprodução/Redes Sociais

Gabriela Nogueira Publicado em 14/11/2025, às 15h24

A Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal iniciou, na última sexta-feira (14), o julgamento que pode transformar o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) em réu por coação no curso do processo. O relator do caso, ministro Alexandre de Moraes, foi o primeiro a votar e se manifestou favorável à abertura da ação penal.

Ao apresentar seu voto, Moraes afirmou que há elementos concretos que justificam o prosseguimento da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República. Para o ministro, as provas reunidas até agora indicam que Eduardo Bolsonaro ultrapassou o limite da crítica institucional e atuou para pressionar autoridades brasileiras por meio de articulações no exterior. Segundo ele, a conduta denunciada teria resultado na “materialização de ameaças” e na obtenção de sanções do governo dos Estados Unidos contra integrantes do Judiciário brasileiro.

A acusação, formalizada pelo procurador-geral Paulo Gonet em setembro, sustenta que o parlamentar tentou intimidar a Justiça com o objetivo de impedir o avanço da ação penal que resultou na condenação de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, por tentativa de golpe de Estado. Desde março, Eduardo vive nos Estados Unidos, alegando ser alvo de perseguição política, e tem mantido reuniões com membros do governo americano, entre eles Donald Trump.

Nesse período, o governo norte-americano adotou medidas que afetaram diretamente autoridades brasileiras, incluindo a imposição de tarifas comerciais a produtos do Brasil e o cancelamento dos vistos de ministros do STF e do procurador-geral. Moraes foi um dos mais atingidos: em julho, entrou na lista da Lei Magnitsky, mecanismo americano que impõe sanções econômicas a indivíduos acusados de violações de direitos humanos. Em setembro, sua esposa, Viviane Barci de Moraes, também foi incluída no mesmo regime de penalidades.

Como Eduardo Bolsonaro não constituiu advogado, a Defensoria Pública da União assumiu sua defesa e pediu a rejeição da denúncia. A DPU argumenta que o deputado não é responsável pelas sanções aplicadas pelos Estados Unidos e que suas manifestações integram o exercício legítimo do mandato parlamentar.

Além de Eduardo, o jornalista Paulo Figueiredo também foi denunciado pela PGR. No entanto, o processo envolvendo ele avança em ritmo diferente — a dificuldade para localizá-lo nos EUA levou Moraes a determinar sua intimação via carta rogatória, procedimento que depende de colaboração entre os dois países.

Os ministros Cristiano Zanin, Flávio Dino e Cármen Lúcia têm até 25 de novembro para registrar seus votos na plataforma virtual. Caso a maioria acompanhe o relator, Eduardo Bolsonaro se tornará réu e o processo seguirá para fase de instrução, com coleta de provas e depoimentos de testemunhas.

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