Supremo Tribunal Federal

STF forma maioria contra prorrogação da CPMI do INSS

Placar de 8 a 2 votos derruba decisão de André Mendonça e aponta para o encerramento da comissão até o fim da semana

Ministros do STF durante sessão plenária, em Brasília. - Imagem: Reprodução/STF.

Erika Osti Publicado em 26/03/2026, às 18h09

O Supremo Tribunal Federal formou maioria nesta quinta-feira (26) para barrar a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito do INSS, que investiga fraudes em aposentadorias e pensões. Com oito votos contrários e dois favoráveis, a Corte caminha para derrubar a decisão individual do ministro André Mendonça que havia autorizado a continuidade dos trabalhos. 

Votaram contra a prorrogação os ministros Flávio Dino, Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia, Gilmar Mendes e o presidente do STF, Edson Fachin. Mendonça, relator do caso, e Luiz Fux defenderam a manutenção da comissão por mais tempo.

A decisão do Supremo ocorre após Mendonça ter concedido, na segunda-feira (23), uma liminar determinando que o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, analisasse em até 48 horas o pedido de extensão do prazo da CPMI. O ministro atendeu a um mandado de segurança apresentado pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana, que alegou omissão da cúpula do Congresso em dar andamento ao requerimento.

Mesmo com a decisão individual, a maioria do STF entendeu que a prorrogação de uma comissão parlamentar não é uma garantia automática das minorias. Os ministros ressaltaram que há jurisprudência consolidada para assegurar a criação de CPIs por grupos minoritários, mas não para estender seu funcionamento sem aval do Congresso. Para esse grupo, a definição sobre prazos é uma atribuição interna do Legislativo.

Durante o julgamento, Flávio Dino abriu a divergência ao apontar que a Constituição não trata da prorrogação de CPIs como um direito subjetivo. Na mesma linha, Alexandre de Moraes criticou a condução de atos dentro da comissão e reforçou que decisões desse tipo não podem ser substituídas por determinação judicial.

Com o entendimento predominante, a CPMI deve ser encerrada até o próximo sábado (28), prazo final originalmente previsto. Diante desse cenário, o relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar, já indicou que pretende apresentar o relatório final nesta sexta-feira (27). O documento, segundo ele, tem mais de 5 mil páginas e pode pedir o indiciamento de mais de 200 pessoas.

Instalada em agosto de 2025, a CPMI do INSS foi criada para investigar descontos indevidos em benefícios previdenciários. Nos últimos meses, porém, os trabalhos avançaram sobre o chamado Caso Master, que apura possíveis irregularidades em operações de crédito consignado vinculadas a aposentados e pensionistas.

Dados reunidos pela comissão indicam que clientes ligados ao INSS contrataram mais de R$ 700 milhões em empréstimos com o banco entre 2023 e 2025. Parte das investigações também passou a envolver mensagens extraídas de celulares de executivos do setor financeiro, o que ampliou a tensão política e jurídica em torno do caso.

Mais cedo, antes da formação da maioria no Supremo, o presidente da CPMI chegou a anunciar a prorrogação dos trabalhos por até 120 dias. A medida, no entanto, perde efeito caso a decisão do STF seja confirmada ao final do julgamento.

Gilmar Mendes Dias Toffoli Davi Alcolumbre Edson Fachin INSS FRAUDES ALEXANDRE DE MORAES SUPREMO TRIBUNAL federal CPMI Relatório nunes marques APOSENTADORIAS Flávio Dino Cristiano Zanin Cármen Lúcia André Mendonça Carlos viana

Leia também