Deputado Alfredo Gaspar aponta rede empresarial, movimentações financeiras suspeitas e conexão com investigado preso pela Polícia Federal
Ana Beatriz Publicado em 27/03/2026, às 23h18
O relatório final da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS, apresentado pelo deputado Alfredo Gaspar, pediu o indiciamento de 216 pessoas investigadas por participação em um esquema de fraudes bilionárias contra aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
Entre os nomes citados no documento estão os advogados Nelson Wilians Fratoni Rodrigues e Anne Carolline Wilians Vieira Rodrigues. Segundo o relator, ambos teriam ligação com uma estrutura financeira suspeita que movimentava recursos desviados do sistema previdenciário.
De acordo com o relatório, o casal manteria uma rede de empresas com indícios de utilização para ocultação de valores. A investigação também aponta relação financeira com Maurício Camisotti, identificado como um dos principais articuladores do esquema e preso pela Polícia Federal em São Paulo. Ele negocia um acordo de delação premiada.
A CPMI sustenta que Nelson Wilians teria atuado diretamente na lavagem de dinheiro oriundo das fraudes, em parceria com Camisotti. Já Anne Carolline é apontada como integrante do núcleo financeiro da organização criminosa, responsável por receber e movimentar valores sem justificativa lícita, desempenhando papel estratégico na engrenagem do esquema.
O documento solicita o indiciamento de Anne pelos crimes de lavagem de dinheiro e organização criminosa. Em relação a Nelson Wilians, o relatório também o vincula às operações financeiras investigadas, embora os detalhes do enquadramento jurídico dependam da análise posterior dos órgãos competentes.
Em nota, o casal nega qualquer irregularidade e afirma que suas atividades são legais e devidamente comprovadas.
A CPMI do INSS deve encerrar oficialmente seus trabalhos nesta sexta-feira, após decisão do Supremo Tribunal Federal que rejeitou o pedido de prorrogação dos trabalhos da comissão.
Durante a apresentação do relatório, Alfredo Gaspar criticou duramente o cenário de corrupção envolvendo recursos públicos. “O Brasil está doente. O cidadão está exausto com a corrupção e o desvio de recursos públicos”, afirmou.
O caso agora segue para análise do Ministério Público e demais órgãos de controle, que poderão transformar os indiciamentos em denúncias formais na Justiça.