Previdência sob investigação

PF investiga aplicação de R$ 400 milhões da previdência do Amapá no Banco Master

Operação Zona Cinzenta apura suspeitas de gestão temerária em investimentos do RPPS estadual

Materiais apreendidos passarão por perícia para identificar responsabilidades e avaliar prejuízos ao patrimônio dos servidores do Amapá - Imagem: Divulgação/Policia Federal

Letícia Sales Publicado em 06/02/2026, às 11h09

A Polícia Federal deflagrou, na manhã desta sexta-feira (6), a Operação Zona Cinzenta para apurar possíveis irregularidades na gestão de recursos do Regime Próprio de Previdência Social do Estado do Amapá (RPPS/AP). O foco da investigação são investimentos realizados pela Amapá Previdência (Amprev) em Letras Financeiras emitidas pelo Banco Master, que somam cerca de R$ 400 milhões.

Agentes da PF cumpriram quatro mandados de busca e apreensão em Macapá, autorizados pela 4ª Vara Federal do Amapá. A ação tem por objetivo recolher documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam esclarecer como os aportes foram aprovados e executados na autarquia previdenciária.

Segundo a apuração, as decisões que autorizaram os investimentos ocorreram em três reuniões do Comitê de Investimentos da Amprev, realizadas nos dias 12, 19 e 30 de julho de 2024. Nessas ocasiões, votaram favoravelmente o diretor-presidente da Amprev, Jocildo Lemos, e os integrantes do comitê Jackson Rubens de Oliveira e José Milton Afonso Gonçalves, todos alvos da operação desta sexta-feira.

A PF e o Ministério Público investigam se houve alertas formais sobre os riscos das aplicações, a existência de pareceres técnicos contrários e se essas avaliações foram ignoradas ou suprimidas durante o processo decisório. As suspeitas envolvem possíveis crimes de gestão temerária e gestão fraudulenta, diante da adoção de investimentos considerados incompatíveis com a natureza previdenciária dos recursos.

A investigação tramita na primeira instância da Justiça Federal, já que, até o momento, não há investigados com foro por prerrogativa de função. O caso se soma a outras apurações envolvendo o Banco Master, que atualmente está em liquidação extrajudicial.

Esta é a segunda previdência estadual a entrar no radar da Polícia Federal por aportes na instituição financeira. No início da semana, a PF prendeu temporariamente o ex-presidente do Rioprevidência, no Rio de Janeiro, no âmbito da Operação Barco de Papel. As investigações apontam aplicações bilionárias de recursos públicos em Letras Financeiras do banco entre 2023 e 2024.

Os materiais apreendidos passarão por perícia e análises contábeis. A Polícia Federal busca reconstruir a cadeia de decisões, identificar responsabilidades individuais e dimensionar eventuais prejuízos ao patrimônio destinado ao pagamento de aposentadorias e pensões dos servidores do Amapá.

AMAPÁ INVESTIGAÇÕES Polícia Federal macapá Banco Master Comitê de Investimentos Amprev Amapá previdência Regime próprio de previdência social

Leia também