Operação Copia e Cola

MPF denuncia 24 atos de peculato em contratos da UPA do Éden e aponta núcleo político em Sorocaba

Investigação atribui desvio de R$ 1,5 milhão a transferências bancárias fracionadas e inclui acusações de organização criminosa, corrupção e lavagem de dinheiro.

UPA do Éden, em Sorocaba, unidade no centro das investigações da Operação Copia e Cola - Imagem: Reprodução

Ana Beatriz Publicado em 15/02/2026, às 10h55

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O Ministério Público Federal (MPF) denunciou à Justiça Federal, no último dia 5 de fevereiro, um esquema de desvio de recursos públicos na gestão da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Éden, em Sorocaba, interior de São Paulo. Segundo os procuradores, cerca de R$ 1,5 milhão teriam sido pulverizados em 24 operações bancárias distintas — cada uma tratada como crime autônomo de peculato-desvio.

A denúncia integra a chamada Operação Copia e Cola e tem como base contratos firmados entre a Prefeitura de Sorocaba e a organização social Aceni, atualmente denominada Instituto de Atenção à Saúde e Educação (Iase). O documento, ao qual o Portal Porque teve acesso, descreve a existência de um núcleo de comando estruturado para viabilizar o esquema.

No centro das acusações está o prefeito afastado Rodrigo Manga (Republicanos), além de familiares, secretários municipais e empresários ligados à administração da unidade de saúde. O MPF sustenta que o grupo teria atuado de forma organizada para viabilizar o desvio de recursos da saúde pública.

De acordo com a denúncia, o dinheiro teria sido escoado por meio da contratação de serviços considerados fictícios, atribuídos à empresa AP Engenharia Clínica, apontada como peça-chave para operacionalizar as transferências.

Além dos 24 crimes de peculato-desvio, o Ministério Público atribui aos investigados outros ilícitos, entre eles organização criminosa, corrupção ativa e passiva, lavagem de dinheiro, contratação direta ilegal e frustração do caráter competitivo de licitação.

Os procuradores destacam que os fatos relacionados à UPA do Éden representam apenas parte do esquema investigado. Outros contratos, empresas e unidades de saúde, inclusive com valores mais elevados, foram desmembrados em inquéritos autônomos e podem resultar em novas denúncias.

A denúncia será analisada pela Justiça Federal, que decidirá sobre o recebimento da ação penal e eventual abertura de processo contra os acusados.

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