Após semanas de tensão, acusações públicas e a saída da presidência do PL Mulher, ex-primeira-dama afirma que pretende conversar com o senador e defende união em torno de Jair Bolsonaro.
Ana Beatriz Silva Publicado em 24/07/2026, às 12h37
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro afirmou nesta quinta-feira, 23 de julho, que aceitou o pedido público de desculpas feito pelo senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência da República. Em vídeo publicado nas redes sociais, Michelle declarou que pretende se reunir com o enteado para conversar, ajustar as divergências e reconstruir a relação política entre os dois.
“Por isso, aceito seu pedido. Eu te desculpo”, afirmou Michelle. Ela também defendeu que ambos deixem os desentendimentos de lado e unam forças em torno do ex-presidente Jair Bolsonaro e do projeto político representado pelo grupo.
A manifestação ocorreu poucas horas depois de Flávio divulgar um vídeo reconhecendo que algumas de suas atitudes haviam provocado desconforto. O senador pediu desculpas e renovou o convite para que Michelle participasse de uma atuação conjunta durante o processo eleitoral de 2026.
Na gravação, Flávio afirmou que as divergências entre pessoas públicas acabam sendo utilizadas por adversários políticos e argumentou que o momento exigia união, humildade e diálogo. Segundo o parlamentar, ele e Michelle compartilham o objetivo de defender o legado político de Jair Bolsonaro.
A resposta da ex-primeira-dama representa uma mudança no cenário de tensão que se formou no núcleo político da família Bolsonaro desde o final de junho. Na ocasião, Michelle publicou um vídeo de aproximadamente 26 minutos no qual relatou ter sido desrespeitada e humilhada por Flávio durante uma conversa telefônica.
Segundo Michelle, o senador teria afirmado que ela deveria permanecer fora das decisões partidárias e que não possuía experiência suficiente para participar das articulações políticas. A ex-primeira-dama disse que interpretou o episódio como um sinal de que seu apoio não era considerado importante e, por isso, decidiu se afastar das discussões internas.
O conflito também envolveu as articulações eleitorais do PL no Ceará. Michelle havia criticado a aproximação de integrantes do partido com Ciro Gomes, pré-candidato ao governo estadual pelo PSDB, e defendia outros nomes para a composição política no estado.
Entre as divergências estava a disputa por uma vaga ao Senado. Michelle defendia a participação de Priscila Costa, então vice-presidente nacional do PL Mulher, enquanto setores ligados à direção partidária apoiavam uma composição diferente. A ex-primeira-dama também manifestou apoio ao senador Eduardo Girão, do Novo, na disputa pelo governo cearense.
Após tornar o desentendimento público, Michelle anunciou, em 30 de junho, que deixaria a presidência nacional do PL Mulher. Ela informou que a decisão havia sido discutida com Jair Bolsonaro e que passaria a se dedicar integralmente aos cuidados com o marido e com a família.
A saída ocorreu depois de uma reunião com o presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto. O afastamento de Michelle provocou preocupação dentro do partido, principalmente por sua influência entre mulheres conservadoras e eleitoras ligadas ao segmento evangélico.
No novo pronunciamento, Michelle afirmou que, desde que deixou o PL Mulher, havia se recolhido e tentado permanecer distante das articulações e da cena política. A ex-primeira-dama disse ter recebido o pedido de desculpas de Flávio “com muita paz” e destacou que o reconhecimento público dos erros possui valor.
Michelle também declarou que o propósito político do grupo seria maior do que os desentendimentos pessoais. Ela propôs que os dois se sentassem para conversar e afirmou que pretende ajudar a reunir apoiadores em torno de Jair Bolsonaro.
“Vamos sentar, conversar, ajustar os detalhes e, juntos, vamos reunir um grande exército de pessoas de bem para resgatarmos o Brasil”, declarou.
A ex-primeira-dama agradeceu especialmente à vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, e à senadora Damares Alves. Segundo Michelle, as duas trabalharam para viabilizar o processo de reconciliação.
Celina e Damares são consideradas interlocutoras próximas da ex-primeira-dama. Durante o período de crise, Michelle chegou a relatar às duas sua frustração com o espaço oferecido às mulheres nas decisões eleitorais do partido e com os ataques recebidos após a divulgação do conflito.
A reconciliação acontece em um momento estratégico para o PL. O partido tem convenção marcada para 25 de julho e busca reduzir as divisões internas antes do avanço da campanha eleitoral. A participação de Michelle é considerada relevante para a mobilização do eleitorado feminino e religioso, segmentos nos quais ela construiu influência durante sua passagem pelo comando do PL Mulher.
Apesar do tom de pacificação, Michelle deixou claro que ainda pretende conversar pessoalmente com Flávio e ajustar os detalhes da relação entre os dois. O vídeo, portanto, encerra a fase mais pública do confronto, mas também inaugura uma nova etapa de negociação sobre o espaço que a ex-primeira-dama poderá ocupar na campanha presidencial do senador.