Presidente afirma que o país quer dominar toda a cadeia produtiva das terras raras, reduzir a dependência da exportação de matéria-prima e transformar o setor em um ativo estratégico para a economia nacional.
Redação Publicado em 10/07/2026, às 14h38
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta sexta-feira (10) que os Estados Unidos poderão voltar suas atenções ao Brasil caso o país avance no desenvolvimento da indústria de minerais críticos e terras raras. Durante reunião no Palácio do Planalto com ministros, empresários do setor mineral e especialistas, o chefe do Executivo defendeu que o Brasil deixe de ser apenas fornecedor de matéria-prima e passe a disputar espaço em um mercado considerado estratégico para as maiores economias do mundo.
Ao comentar a disputa internacional pelo controle desses recursos, Lula declarou que o presidente norte-americano Donald Trump demonstra preocupação com a liderança chinesa no segmento e afirmou que o Brasil também pretende ocupar posição de destaque na cadeia global de produção.
Segundo o presidente, o encontro marcou uma mudança de postura do governo em relação ao tema. Lula afirmou que o país reúne conhecimento técnico, reservas minerais e potencial industrial suficientes para desenvolver tecnologia própria e ampliar sua participação em um mercado atualmente dominado pela China.
As chamadas terras raras e outros minerais críticos são fundamentais para a fabricação de veículos elétricos, baterias, equipamentos eletrônicos, sistemas de defesa, turbinas eólicas e diversas tecnologias ligadas à transição energética. Atualmente, a China concentra entre 80% e 90% da cadeia mundial de extração, processamento e refino desses materiais, enquanto o Brasil possui uma das maiores reservas conhecidas do planeta.
Durante o encontro, Lula reforçou que a estratégia do governo é agregar valor aos recursos minerais antes da exportação. Segundo ele, o objetivo não é apenas vender minério bruto, mas investir em pesquisa, inovação e industrialização para ampliar a competitividade brasileira.
O presidente também destacou que o domínio tecnológico sobre esses minerais poderá fortalecer a soberania econômica, científica e industrial do país, reduzindo a dependência externa em setores considerados estratégicos.
A discussão ocorre em um momento de intensificação da disputa geopolítica entre Estados Unidos e China pelo acesso a matérias-primas essenciais para a indústria de alta tecnologia. Paralelamente, o governo brasileiro negocia com autoridades norte-americanas uma tentativa de evitar a aplicação de tarifas de 25% sobre produtos brasileiros, medida cuja decisão final é aguardada para o próximo dia 15 de julho.
Enquanto isso, o Congresso Nacional também analisa propostas para regulamentar a exploração de minerais estratégicos. O chamado Projeto de Lei das Terras Raras, aprovado pela Câmara dos Deputados, segue em tramitação no Senado e poderá definir novas regras para exploração, beneficiamento e industrialização desses recursos no Brasil.