Decisão da Justiça italiana amplia pressão para retorno da ex-deputada ao Brasil; defesa ainda pode recorrer
Lívia Gennari Publicado em 16/04/2026, às 11h49 - Atualizado às 13h05
A Justiça da Itália decidiu, nesta quinta-feira (16), aceitar mais um pedido de extradição apresentado pelo Brasil contra a ex-deputada federal Carla Zambelli. Desta vez, o aval está relacionado à condenação por porte ilegal de arma de fogo, decorrente de um episódio ocorrido em São Paulo, em 2022. A defesa ainda tem a possibilidade de contestar a decisão.
O caso diz respeito a uma ocorrência registrada na véspera do segundo turno das eleições daquele ano, quando Zambelli se envolveu em uma discussão política e passou a perseguir um homem armada pelas ruas da capital paulista. A cena, registrada em vídeo, teve ampla repercussão e motivou a abertura de investigação no Supremo Tribunal Federal, que posteriormente fixou pena de 5 anos e 3 meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma.
Além desse processo, a ex-parlamentar também responde a outro caso que já teve andamento na Justiça italiana. Trata-se da condenação por envolvimento na invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça, em parceria com o hacker Walter Delgatti Neto. As investigações indicaram a inclusão de documentos falsificados no sistema, entre eles um suposto mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes. Nesse episódio, Zambelli foi condenada a 10 anos de prisão.
A extradição referente a esse segundo processo já havia sido autorizada anteriormente, mas a defesa protocolou recurso no início deste mês, que ainda aguarda análise pelas autoridades italianas.
Com dupla cidadania, Zambelli deixou o Brasil em maio do ano passado, atravessando a fronteira com a Argentina antes de seguir viagem para os Estados Unidos e, depois, para a Europa. Desde então, passou a ser considerada foragida, o que levou o STF a formalizar os pedidos de extradição.
A ex-deputada está detida desde julho de 2025 em uma unidade prisional nos arredores de Roma. De acordo com autoridades locais, a permanência em custódia foi mantida diante da possibilidade de fuga.
A palavra final sobre a entrega de Zambelli ao Brasil caberá ao governo italiano. Após o esgotamento dos recursos judiciais, o Ministério da Justiça do país deverá avaliar os pedidos e decidir se autoriza a extradição.