Ministro da Fazenda afirma que conversa entre os presidentes pode ocorrer em breve após declaração de Trump sobre imposto
Redação Publicado em 03/08/2025, às 09h30
Um possível diálogo direto entre os presidentes Lula e Donald Trump pode estar mais perto de acontecer. Segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, a conversa pode ser aberta em breve. A possibilidade surgiu depois que Trump disse que Lula pode ligar para ele "quando quiser" para discutir um novo imposto de 50% imposto aos produtos brasileiros. "A recíproca também é verdadeira", respondeu Haddad, afirmando que Lula também está disposto a receber uma ligação de Trump.
Para que essa conversa aconteça, Haddad planeja se encontrar com o secretário do Tesouro americano, Scott Bessent, na próxima semana. A reunião é considerada essencial para o governo brasileiro, que quer apresentar os motivos pelos quais o imposto é visto como uma ação "unilateral" por parte dos Estados Unidos.
Disputas e outros temas
O novo imposto, que começou no final de julho, foi justificado por Trump como uma resposta a ações "estranhas" e "extraordinárias" do Brasil, que, segundo ele, seriam uma ameaça à segurança americana. No entanto, quase metade (44,6%) das exportações brasileiras não serão afetadas, como produtos como petróleo, celulose, suco de laranja e minério de ferro.
Além dos problemas comerciais, a conversa entre Haddad e o secretário do Tesouro americano também deve incluir as sanções impostas ao ministro do STF Alexandre de Moraes. O governo americano colocou sanções no magistrado na mesma decisão que anunciou o imposto. Haddad disse que vai usar a reunião para explicar como funciona o sistema judicial do Brasil e negar o que ele chamou de "notícias falsas" sobre o tema.
O presidente Lula usou as redes sociais para reforçar que o Brasil "sempre esteve aberto ao diálogo" e que continuará defendendo a economia, as empresas e os trabalhadores brasileiros. "Quem define os rumos do Brasil são os brasileiros e suas instituições", escreveu.
Para diminuir os problemas causados pelo imposto, o governo brasileiro está avaliando medidas. No Ceará, por exemplo, o governador Elmano de Freitas e Haddad conversaram sobre a possibilidade de o estado e as prefeituras comprarem alimentos prejudicados pela medida, como peixes e frutas, para usar em programas sociais.
O ministro Haddad concluiu que um encontro presencial entre Lula e Trump, se acontecer, vai depender totalmente do resultado de sua reunião com o secretário do Tesouro americano.