O novo modelo de crédito imobiliário visa atender famílias com rendimentos entre R$12 mil e R$20 mil
Gabriela Thier Publicado em 09/10/2025, às 19h07
Em um anúncio realizado em São Paulo, o Ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, revelou que o governo federal planeja uma nova política habitacional que será oficialmente apresentada amanhã pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é de que a Caixa Econômica Federal financie até 80 mil novas moradias até 2026.
A proposta do governo inclui uma reforma estrutural na utilização da poupança, visando incrementar o crédito habitacional. O foco será na modernização das diretrizes do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE), com a intenção de tornar o uso da poupança mais eficaz e aumentar a disponibilidade de crédito imobiliário.
"A previsão é que somente a Caixa Econômica Federal possa disponibilizar 80 mil novos financiamentos até 2026. O início desse processo é imediato", afirmou o ministro durante sua participação no evento Incorpora 2025, que congrega líderes do setor imobiliário, incluindo autoridades públicas e representantes de instituições financeiras. O encontro visa discutir os desafios e oportunidades do mercado imobiliário brasileiro.
Embora tenha se abstido de compartilhar detalhes minuciosos sobre o novo modelo de crédito imobiliário, para evitar antecipar informações antes do anúncio oficial, Jader Barbalho destacou que essa iniciativa foi elaborada em conjunto com diversos órgãos, como o Ministério da Fazenda e o Banco Central. O objetivo central é oferecer uma alternativa de financiamento acessível para a classe média, especialmente para famílias com rendimentos entre R$12 mil e R$20 mil.
Durante o evento, Barbalho enfatizou: "Atualmente, há muitas famílias nessa faixa de renda que não têm acesso a fontes adequadas de financiamento ou apenas conseguem recorrer às opções existentes. Nosso intuito é expandir essas possibilidades".
Em uma entrevista posterior, o ministro reforçou a necessidade urgente de financiamento imobiliário para esse segmento populacional, que historicamente ficou desassistido. "Famílias com rendimentos entre R$12 mil e R$20 mil não encontravam opções viáveis de crédito. Antes da criação do programa Minha Casa, Minha Vida voltado para a classe média, as dificuldades eram ainda mais acentuadas para aqueles que ganhavam acima de R$9,6 mil. As mudanças que serão anunciadas visam proporcionar maior acesso ao financiamento para todos que almejam adquirir a casa própria", acrescentou.
Luiz França, presidente da Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc), manifestou otimismo em relação ao novo modelo proposto pelo governo federal. Ele comentou sobre a possibilidade de um impacto positivo no setor: "Embora não possamos prever números exatos, as iniciativas do governo e do Banco Central são estratégias inteligentes para trazer mais recursos ao mercado em um momento em que a carteira de poupança está diminuindo. Isso aumentará o volume disponível para financiamentos e permitirá que mais pessoas tenham acesso à compra de imóveis".
No tocante ao programa Minha Casa Minha Vida, Jader Barbalho anunciou que estão sendo estudadas alterações nas três primeiras faixas de renda. Ele mencionou ter conversado com o ministro Rui Costa sobre ajustes nos tetos dos imóveis e na faixa de renda atendida. "Estamos trabalhando em conjunto com a Abrainc e nossa equipe técnica para avaliar essas mudanças", concluiu.