Emendas

Flávio Dino solicita esclarecimentos sobre nova resolução de emendas parlamentares

A Advocacia-Geral da União também é intimada a se manifestar sobre a nova regra que visa aumentar a transparência das emendas

A Advocacia-Geral da União também é intimada a se manifestar sobre a nova regra que visa aumentar a transparência das emendas - Imagem: Reprodução / Lula Marques / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 18/03/2025, às 18h07

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu um prazo de dez dias para que a Câmara dos Deputados e o Senado Federal apresentem explicações a respeito da resolução aprovada no último dia 13 de outubro. Essa norma visa aumentar a transparência e a rastreabilidade das emendas parlamentares relacionadas ao Orçamento da União.

Além disso, o ministro também intimou a Advocacia-Geral da União (AGU) para que se manifeste sobre a nova regra dentro do mesmo período de dez dias.

A decisão foi fundamentada na necessidade de esclarecer melhor os fatos, conforme argumentou Dino em sua determinação.

A solicitação partiu do Instituto Não Aceito Corrupção (Inac), que atua como amicus curiae, ou amigo da corte, no STF, contribuindo com manifestações sobre o tema. O Inac informou ao tribunal que a nova resolução ainda permite a ocultação da identidade dos parlamentares responsáveis pelas emendas, prática já considerada inconstitucional pelo STF por ferir princípios constitucionais relacionados ao Orçamento.

Segundo o Inac, a nova norma, especificamente nos artigos 45-A, 47 e 48-A, possibilita que os congressistas façam indicações através de suas bancadas partidárias, onde apenas a assinatura do líder do partido é registrada, sem a identificação do autor original da emenda.

O instituto caracterizou essa nova forma de emendas como uma "nova fase do orçamento secreto", enfatizando trechos que foram destacados pelo próprio ministro Dino em sua decisão na última terça-feira.

Contexto

As emendas parlamentares são uma parte fundamental do Orçamento, permitindo que deputados e senadores destinem recursos para obras ou serviços públicos de acordo com suas indicações, muitas vezes visando atender às demandas de suas bases eleitorais.

A expressão "orçamento secreto" refere-se àquelas emendas cuja destinação não permitia identificar o parlamentar responsável pela indicação ou o beneficiário final dos recursos públicos, resultando em diversas irregularidades.

Desde dezembro de 2022, o Supremo Tribunal tem se esforçado para regulamentar a proposição e liberação das emendas, considerando inconstitucionais aquelas que não cumprem critérios mínimos de transparência e rastreabilidade.

A nova resolução representa um avanço no processo de conciliação promovido pelo STF e faz parte de um plano apresentado pelo Congresso para resolver questões relacionadas à transparência orçamentária.

No mesmo dia da aprovação da resolução durante uma sessão conjunta do Congresso, Dino afirmou que as soluções encontradas para lidar com o orçamento secreto ainda estão "longe do ideal".

Atualmente, a questão das emendas é um dos principais obstáculos para a aprovação do Orçamento de 2025, que ainda não foi votado na Comissão Mista de Orçamento. Após sucessivos atrasos, espera-se que a votação ocorra apenas em abril, devido à demora na apresentação do parecer pelo relator Ângelo Coronel (PSD-BA).

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