Documento apresentado pelo controlador do Banco Master durante negociações de colaboração premiada mencionava um novo acordo com o escritório de Viviane Barci de Moraes. Primeira proposta foi rejeitada pela Polícia Federal e segue sob análise das autoridades.
Ana Beatriz Publicado em 04/06/2026, às 14h21
Uma nova revelação envolvendo o escândalo do Banco Master trouxe novamente ao centro do debate a relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Segundo informações divulgadas nesta quarta-feira, 3 de junho, pelo jornal O Globo, uma das versões da proposta de delação premiada apresentada por Vorcaro à Polícia Federal fazia referência à existência de um novo contrato milionário firmado entre empresas ligadas ao controlador do Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci. A proposta de colaboração, no entanto, acabou rejeitada pela Polícia Federal e precisou ser reformulada pela defesa do banqueiro.
De acordo com a reportagem, o documento mencionava um acordo avaliado em aproximadamente R$ 50 milhões. O contrato teria sido elaborado em 2025, ampliando a relação profissional já existente entre o Banco Master e o escritório da advogada. Segundo os relatos divulgados pela imprensa, a finalidade do novo vínculo seria assegurar o pagamento de valores remanescentes de contratos anteriores, mesmo diante das dificuldades financeiras enfrentadas pela instituição bancária.
A relação entre o Banco Master e o escritório de Viviane Barci já havia sido revelada anteriormente. Documentos divulgados ao longo das investigações apontaram que contratos anteriores entre as partes previam pagamentos superiores a R$ 100 milhões por serviços jurídicos prestados à instituição financeira. O escritório sustenta que os trabalhos executados envolveram pareceres, consultorias e serviços advocatícios regulares, negando qualquer atuação junto ao Supremo Tribunal Federal ou influência sobre decisões judiciais.
O novo episódio ocorre em meio ao aprofundamento das investigações sobre o Banco Master. Daniel Vorcaro tornou-se alvo de operações da Polícia Federal e de investigações relacionadas à gestão da instituição financeira, que acabou entrando em liquidação extrajudicial após determinação do Banco Central. O caso é considerado um dos maiores escândalos financeiros do país nos últimos anos e continua produzindo desdobramentos políticos, jurídicos e econômicos.
Segundo as informações divulgadas até o momento, a primeira versão da delação foi rejeitada pela Polícia Federal em maio. A defesa de Vorcaro apresentou posteriormente uma nova proposta de colaboração premiada, que passou a incluir mais informações e novos personagens citados no material entregue às autoridades. O conteúdo permanece sob análise dos órgãos responsáveis.
Nem a menção ao contrato nem a existência da proposta de delação representam, por si só, comprovação de irregularidades. O material integra uma negociação de colaboração premiada e ainda depende de validação pelas autoridades competentes para produzir efeitos jurídicos. Até o momento, não há acusação formal relacionada especificamente ao contrato mencionado na proposta rejeitada.
O caso segue acompanhando o avanço das investigações envolvendo Daniel Vorcaro, o Banco Master e os diversos desdobramentos institucionais que surgiram após a liquidação da instituição financeira e a abertura das apurações conduzidas pela Polícia Federal e outros órgãos de controle.