Dino criticou o perdão a invasores do Capitólio, mas sua análise foi vista como uma crítica ao governo Trump, gerando mal-estar diplomático
Redação Publicado em 13/09/2025, às 11h12
Os rumores sobre a possibilidade de o governo dos Estados Unidos aplicar sanções contra o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, ganharam força nos últimos dias. O motivo foi um comentário feito pelo ministro durante o julgamento do plano de golpe de Estado, que foi muito mal recebido em Washington e gerou um mal-estar diplomático. A fala, que citava um influente ativista americano, teria provocado reações negativas de autoridades do governo americano.
Tudo começou quando Dino, em seu voto, fez uma referência ao comentarista conservador Charlie Kirk. O trecho do julgamento foi traduzido e enviado a membros do Departamento de Estado americano. A repercussão interna teria sido imediata e bastante negativa, a ponto de uma das autoridades que teve acesso ao material ter reagido com a expressão “he's crazy” (“ele é louco”).
Importância de Charlie Kirk
O grande incômodo gerado pela fala do ministro brasileiro se deve à enorme importância de Charlie Kirk no cenário político dos Estados Unidos. Ele não é somente um comentarista, mas sim uma peça-chave do movimento MAGA (Make America Great Again), liderado pelo presidente Donald Trump. Kirk é considerado fundamental na mobilização do eleitorado jovem conservador e mantém uma ligação muito próxima e direta com Trump e seu círculo mais íntimo de assessores e aliados.
Por ser uma figura tão estratégica para o governo americano, qualquer menção a ele em um contexto negativo, vinda de uma autoridade de outro país, é vista com grande sensibilidade. O episódio acabou por alimentar ainda mais as especulações de que Flávio Dino poderia entrar na mira de possíveis punições por parte do governo americano.
A fala específica do ministro fazia uma análise sobre o perdão concedido a cerca de 1.500 pessoas que participaram da invasão ao Capitólio. Dino teria usado o exemplo para argumentar que medidas como essa não resultaram, necessariamente, em uma pacificação social no país, contextualizando sua visão sobre os atos antidemocráticos julgados no Brasil. O comentário, no entanto, foi interpretado como uma crítica direta a uma decisão do governo Trump.