Câmara acelera acordo Mercosul–UE

Câmara promete tramitação rápida de acordo entre Mercosul e União Europeia

Presidente da Casa, Hugo Motta, diz que tratado abre oportunidades ao Brasil e deve ser analisado com prioridade pelos deputados

Hugo Motta destaca a importância do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia e promete análise célere no Congresso - Imagem: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Letícia Sales Publicado em 17/01/2026, às 16h42

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), afirmou neste sábado (17/1) que o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia terá análise célere no Legislativo brasileiro. O tratado foi assinado no Paraguai por representantes dos dois blocos, mas ainda depende de ratificação do Congresso Nacional para entrar em vigor.

Em publicação nas redes sociais, Motta celebrou a assinatura do pacto e destacou o peso econômico do acordo, que deve formar uma das maiores áreas de livre comércio do planeta. Segundo ele, a Câmara atuará para dar rapidez à tramitação, permitindo que os efeitos do tratado cheguem ao país o quanto antes.

“Comprovamos a força da diplomacia, do diálogo e da cooperação. Vamos trabalhar para que o acordo seja analisado com a maior brevidade possível”, afirmou o deputado.

Negociado desde 1999, o acordo Mercosul–União Europeia reúne países que somam cerca de 780 milhões de consumidores e representam aproximadamente um quarto do PIB global. A expectativa é de redução gradual de tarifas de importação sobre a maior parte dos produtos comercializados entre os blocos.

Pelo texto, a União Europeia amplia o acesso de produtos agropecuários do Mercosul, como carne, açúcar, etanol, soja e suco de laranja. Em contrapartida, os países sul-americanos abrem seus mercados a bens industriais europeus, incluindo automóveis, máquinas, medicamentos e bebidas.

Apesar do avanço diplomático, o tratado ainda enfrenta resistências, sobretudo de setores agrícolas e industriais na Europa. Parlamentares contrários já sinalizam a possibilidade de recorrer ao Tribunal de Justiça da União Europeia, o que pode atrasar a ratificação.

Além das regras comerciais, o acordo inclui capítulos sobre serviços, compras governamentais, propriedade intelectual e solução de controvérsias. O tema ambiental segue como um dos pontos mais sensíveis, com compromissos ligados ao Acordo de Paris e ao combate ao desmatamento.

No Brasil, o governo avalia que a aprovação no Congresso deve ocorrer sem grandes obstáculos e aposta na entrada em vigor do acordo a partir do segundo semestre deste ano.

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