Discussão na CCJ reúne setor produtivo e ocorre em meio à expectativa de novo projeto do governo federal
Letícia Sales Publicado em 07/04/2026, às 09h10
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados debate nesta terça-feira (7) o fim da escala de trabalho 6x1, modelo em que o trabalhador atua seis dias consecutivos para folgar apenas um. O tema ganha força no Congresso em meio à expectativa de envio de uma nova proposta pelo governo federal.
A discussão ocorre no âmbito de uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que já tramita na Casa. Para ampliar o diálogo, a comissão convidou representantes de setores produtivos, incluindo indústria, agronegócio, comércio e transportes, que devem apresentar suas avaliações sobre os impactos da possível mudança.
No mês anterior, o colegiado ouviu lideranças sindicais e o ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, que sinalizou o interesse do Executivo em avançar com alterações na jornada de trabalho. A possibilidade de envio de um novo projeto com urgência constitucional também foi mencionada pelo governo, o que poderia acelerar a tramitação no Congresso.
Apesar disso, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), tem defendido que o tema seja tratado por meio de PEC. Segundo ele, a proposta deve ser analisada pela CCJ até o início de abril, com previsão de votação em plenário no mês de maio.
A proposta divide opiniões. Enquanto o governo federal apoia o avanço da medida, setores produtivos demonstram preocupação com possíveis impactos econômicos e operacionais. Para Hugo Motta, o debate precisa equilibrar os interesses dos trabalhadores e dos empregadores, buscando uma solução que represente avanço sem gerar prejuízos.
O tema também ganha relevância no cenário político atual, com o governo demonstrando interesse em acelerar a discussão em um contexto de proximidade eleitoral.