Apuração aponta reuniões entre Davi Alcolumbre e o empresário Daniel Vorcaro durante momentos decisivos da tramitação da PEC 136/2025, que alterou regras para pagamento de precatórios.
Ana Beatriz Publicado em 31/05/2026, às 14h11
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), passou a ser alvo de questionamentos após a divulgação de informações que apontam sua atuação para viabilizar a aprovação da PEC 136/2025, proposta que modificou regras relacionadas ao pagamento de precatórios e acabou beneficiando instituições financeiras que atuam nesse mercado, entre elas o Banco Master.
Segundo apuração divulgada pela revista Oeste, o avanço da proposta no Senado ocorreu após reuniões entre Alcolumbre e o empresário Daniel Vorcaro, então controlador do Banco Master. O cruzamento entre a tramitação da PEC e registros de encontros obtidos durante investigações da Polícia Federal indica que Vorcaro esteve com o presidente do Senado em momentos considerados estratégicos para a votação da matéria.
A PEC 136/2025 foi apresentada pelo senador Jader Barbalho (MDB-PA), tendo Alcolumbre como coautor. O texto alterou o tratamento dos precatórios dentro do orçamento público, ampliando mecanismos de gestão desses pagamentos por parte da União, estados e municípios.
Os precatórios são dívidas que o poder público precisa quitar após decisões judiciais definitivas. Tradicionalmente, esses pagamentos seguem ordem cronológica e dependem da disponibilidade orçamentária. Instituições financeiras costumam adquirir esses créditos com desconto, apostando no recebimento integral dos valores futuramente.
De acordo com a reportagem, a tramitação da proposta ocorreu de forma acelerada. A comissão especial da PEC foi criada em abril, o texto avançou rapidamente na Câmara dos Deputados e, posteriormente, chegou ao Senado. Durante a fase final de análise da proposta, ocorreram reuniões entre Vorcaro e Alcolumbre que passaram a ser alvo de atenção por parte de parlamentares da oposição.
Um dos encontros teria ocorrido em 4 de agosto, fora da agenda oficial. Segundo informações obtidas durante investigação da Polícia Federal e mencionadas pela reportagem, mensagens extraídas do celular de Daniel Vorcaro indicam que o empresário foi recebido na residência oficial da presidência do Senado durante a madrugada. Dias depois, um novo encontro teria ocorrido antes da marcação da sessão que definiu a votação final da PEC.
A oposição criticou a velocidade da tramitação da proposta. Durante as discussões, senadores apresentaram destaques para tentar modificar pontos do texto e impedir o que classificaram como possíveis prejuízos a credores que aguardavam pagamentos reconhecidos pela Justiça. Parlamentares afirmaram que a matéria foi conduzida de maneira acelerada e sem amplo debate.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) afirmou que a proposta foi aprovada “a toque de caixa” e defendeu maior investigação sobre os contatos entre Vorcaro e integrantes do Senado. Já o senador Marcos Pontes (PL-SP) manifestou preocupação com possíveis impactos da mudança para credores que aguardam o recebimento de recursos judiciais.
A reportagem também aponta que o Banco Master operava com a compra de precatórios por valores significativamente abaixo dos montantes originais e registrava esses créditos em seus balanços patrimoniais. Segundo as informações divulgadas, essa estratégia permitia ampliar a percepção de patrimônio da instituição e fortalecer operações financeiras ligadas à emissão de Certificados de Depósito Bancário (CDBs).
Com a repercussão do caso, parlamentares da oposição passaram a defender investigações mais aprofundadas sobre a relação entre agentes políticos e representantes do setor financeiro durante a tramitação da PEC. Atualmente, também existem pedidos para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito voltada à apuração de operações envolvendo o Banco Master.
Até o momento, não há decisão judicial que atribua irregularidades a Davi Alcolumbre ou a Daniel Vorcaro em relação à tramitação da PEC 136/2025. O caso segue gerando repercussão política e ampliando o debate sobre transparência, influência econômica e articulação legislativa dentro do Congresso Nacional.