STJ nega pedido de soltura de tenente-coronel acusado de feminicídio em SP

Ministro rejeita pedido da defesa e aponta que recurso não é adequado para contestar decisão da Justiça paulista; investigação indica tentativa de ocultar provas

Morte de policial expõe investigação sobre relação do casal - Imagem: Reprodução

Lívia Gennari Publicado em 21/03/2026, às 09h11

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter preso o tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo Geraldo Leite Rosa Neto, investigado pela morte da esposa, a soldado Gisele Alves Santana. A decisão foi assinada nesta sexta-feira (20), pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que rejeitou o pedido de liberdade apresentado pela defesa do oficial.

No entendimento do magistrado, o instrumento jurídico utilizado, ou seja, uma reclamação, não é apropriado para questionar a ordem de prisão preventiva decretada pela Justiça de São Paulo. Com isso, o militar segue detido após ter sido preso na última quarta-feira (18), quando foi formalmente indiciado por feminicídio e fraude processual.

A morte da policial ocorreu em 18 de fevereiro, no apartamento onde o casal vivia. Na ocasião, o próprio tenente-coronel acionou o resgate. O caso, inicialmente tratado como suicídio, passou a ser investigado como morte suspeita após familiares contestarem a versão apresentada.

 

Vestígios levantam dúvidas

 

Com a exumação do corpo e a realização de novos exames periciais, surgiram elementos que mudaram o rumo das investigações. O laudo apontou lesões no rosto e no pescoço da vítima, incompatíveis com a hipótese inicial. Testes com luminol também identificaram vestígios de sangue em diferentes pontos do banheiro e em objetos ligados ao oficial.

Segundo a perícia, havia marcas de sangue na roupa usada por Rosa Neto e em uma toalha utilizada por ele no dia do ocorrido. A dispersão dos vestígios, inclusive em áreas que deveriam estar limpas, sugere, de acordo com os investigadores, uma tentativa de eliminar evidências de um possível crime violento.

Responsável pelo caso, o delegado Lucas de Souza Lopes afirmou que os indícios técnicos apontam que o oficial teria entrado no banheiro já com sangue no corpo e tentado se lavar antes da chegada do socorro, o que reforça a suspeita de adulteração da cena.

A reclassificação do caso para feminicídio levou em conta não apenas as circunstâncias da morte, mas também o contexto de violência doméstica e o comportamento do investigado após o episódio. A apuração segue em andamento.

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