Albino Santos de Lima é apontado pela Polícia Civil de Alagoas como o mais notório assassino em série do estado
William Oliveira Publicado em 19/11/2024, às 10h25
Albino Santos de Lima, um homem de 42 anos, está sendo apontado pela Polícia Civil de Alagoas como o mais notório assassino em série do estado. Até o momento, ele é suspeito de ter cometido dez homicídios, sendo sete vítimas do sexo feminino e três do sexo masculino. Contudo, as autoridades não descartam a possibilidade de que esse número seja ainda maior.
Ex-funcionário do sistema prisional alagoano e filho de um Policial Militar (PM) aposentado, Albino foi detido sem resistência em setembro deste ano. Sua prisão ocorreu após o homicídio de Ana Beatriz, uma jovem de 13 anos, assassinada no dia do aniversário de sua mãe em uma arena esportiva em Maceió. A vítima foi atingida por um disparo na cabeça e, apesar dos esforços médicos no Hospital Geral do Estado (HGE), não sobreviveu.
De acordo com o delegado Gilson Rego, Albino agia de maneira padronizada: "Ele atuava predominantemente à noite, vestindo roupas escuras e um boné para ocultar o rosto. Trata-se de um predador frio e calculista."
A captura de Albino ocorreu após a divulgação de imagens dele no bairro onde Ana Beatriz foi morta. No dia de sua prisão, 17 de setembro, as autoridades realizaram buscas em sua residência, onde encontraram a pistola calibre .380 usada nos crimes — pertencente ao seu pai — além de um celular.
A arma foi crucial para elucidar os homicídios associados a Albino Santos. Os peritos confirmaram que ela esteve envolvida em pelo menos nove outros assassinatos desde o final de 2023. Todas as mortes ocorreram num raio de 800 metros da casa do suspeito.
Suely Mauricio, perita criminal, destacou o trabalho coletivo na investigação: "Desde a coleta e análise dos projéteis nos locais dos crimes até a apreensão da arma para exames balísticos, conseguimos identificar a arma utilizada nos delitos."
Embora já tenha sido indiciado por homicídio qualificado em três casos específicos, a polícia decidiu reabrir inquéritos antigos, de 2019 e 2020, para verificar a possível ligação de Albino com esses crimes.
Um exame minucioso no celular do acusado revelou duas pastas sugestivas: "Odiadas Instagram" e "Mortes Especiais". Segundo o perito José Farias, essas pastas continham fotos das vítimas junto a calendários marcando as datas dos homicídios, além de imagens retiradas em cemitérios.
Albino confessou ser responsável por oito dos dez crimes sob investigação. No entanto, os investigadores não têm dúvidas sobre sua autoria, com base nas evidências técnicas coletadas. Em seus depoimentos, ele alegou que as vítimas pertenciam a uma organização criminosa — embora tal afirmação não tenha sido confirmada pelas investigações — e se autodenominava "justiceiro" e "missionário".
O delegado Gilson Rego observou que nenhuma das vítimas tinha ligação com facções criminosas: "Identificamos dez vítimas com perfis físicos semelhantes: jovens morenas e geralmente com cabelos cacheados."
A análise do celular também indicou potenciais futuras vítimas e sobreviventes. Tacyane Ribeiro, coordenadora do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), sugeriu que Albino desenvolveu uma obsessão por jovens com características físicas específicas. Ela também alertou sobre os riscos das redes sociais: "É preciso ter cuidado ao expor a vida online, pois nunca se sabe quem pode estar observando."