GR6 Explode foi alvo de apuração por sonegação fiscal e lavagem de dinheiro
Lívia Gennari Publicado em 17/06/2025, às 15h35
A produtora de funk GR6 Explode, uma das mais conhecidas do gênero no país, tornou-se alvo de uma investigação da Polícia Federal que apura lavagem de dinheiro e sonegação fiscal. Sem elementos suficientes para apresentar denúncia, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) firmou um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) com os empresários da produtora, no valor de R$ 116 milhões.
Durante a apuração, o MP identificou dívidas tributárias com o município e o governo estadual, o que levantou indícios de sonegação. O acordo milionário foi uma alternativa encontrada para reparar os danos causados aos cofres públicos.
A negociação envolveu o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), a Receita Federal e a Secretaria Municipal de Finanças da capital paulista. O acordo, validado na última sexta-feira (13), prevê que, com o pagamento integral, os empresários deixarão de ser responsabilizados criminalmente e o caso será encerrado.
Operação Lactus Actio
A investigação teve início em março de 2023, com a primeira fase da Operação Lactus Actio, liderada pela Força-Tarefa de Combate ao Crime Organizado (Ficco). Com apoio da Receita Federal e da Fazenda Municipal de São Paulo, foram cumpridos 15 mandados de busca e apreensão em imóveis localizados nas cidades de São Paulo, Guarujá, Itu e Indaiatuba.
Na ocasião, a Justiça determinou o bloqueio de até R$ 1 bilhão em contas bancárias de pessoas físicas e jurídicas ligadas ao caso, além de reter imóveis e veículos avaliados em mais de R$ 60 milhões. Entre os alvos estava Rodrigo Oliveira, proprietário da GR6, apontado como responsável por movimentações financeiras suspeitas e ocultação de patrimônio não declarado.
A segunda fase da operação, deflagrada em dezembro, mirou artistas, como cantores de funk suspeitos de envolvimento em crimes como corrupção e exploração de jogos de azar. A investigação revelou que agentes da Polícia Civil teriam cobrado propina de empresários e artistas para evitar investigações ligadas à realização de rifas ilegais promovidas nas redes sociais.
Já na terceira fase, em abril deste ano, quatro policiais civis foram presos. Todos estavam lotados no 6º Distrito Policial de Santo André, no ABC Paulista. Eles são suspeitos de integrar um esquema de extorsão que cobrava valores para abafar investigações.
De acordo com os relatórios da investigação, os policiais mantinham pastas organizadas com nomes de artistas, registros detalhados, agendas de reuniões com advogados e estratégias para extorquir valores em propina.
O Ministério Público chegou a classificar o 6º Distrito Policial como um verdadeiro “centro de arrecadação de propinas”, voltado à extorsão de influenciadores.
Entre os artistas citados no inquérito estão MC Paiva, MC Brisola, MC GHdo7, Biel Grau e Gordão da XJ. Segundo a denúncia, MC Brisola chegou a receber uma cobrança de R$ 200 mil em propina, mas, após negociação, os policiais aceitaram R$ 20 mil — 10% do valor inicial.
Outra produtora, a Love Funk, chefiada por Henrique Alexandre Barros Vianna, conhecido como “Rato”, também foi citada como alvo da operação.
A GR6 ainda não se pronunciou oficialmente sobre o acordo.