Investigação

Polícia Federal indiciou Jair Bolsonaro e aliados por espionagem ilegal

O inquérito 'Abin Paralela' investiga o uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento ilegal

O inquérito 'Abin Paralela' investiga o uso indevido da Agência Brasileira de Inteligência para monitoramento ilegal - Imagem: Reprodução / Fabio Rodrigues- Pozzebom / Agência Brasil

Gabriela Thier Publicado em 17/06/2025, às 19h36

A Polícia Federal (PF) anunciou o indiciamento do ex-presidente Jair Bolsonaro, do vereador Carlos Bolsonaro, e do deputado federal Alexandre Ramagem no âmbito de um inquérito que investiga a suposta atuação paralela da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante a gestão de Bolsonaro. Na época dos fatos, Ramagem ocupava o cargo de diretor-geral da Abin.

Além dos mencionados, a investigação também abrange membros da atual alta cúpula da Abin, incluindo Luiz Fernando Corrêa, que atualmente dirige a agência. A PF concluiu o inquérito, denominado "Abin Paralela", e encaminhou as suas conclusões ao Supremo Tribunal Federal (STF).

A investigação tem como foco principal o uso indevido da Abin para realizar monitoramento ilegal de autoridades públicas durante o governo de Jair Bolsonaro. A PF informou que policiais e delegados cedidos à Abin, assim como servidores do órgão, estariam envolvidos em uma organização criminosa dedicada a atividades de espionagem não autorizadas.

Durante as investigações, foi revelado que houve tentativas de acesso a informações confidenciais relacionadas a autoridades do Paraguai, que estavam ligadas às negociações do contrato de energia da usina hidrelétrica de Itaipu, um empreendimento conjunto entre Brasil e Paraguai.

Até o momento, Jair Bolsonaro e Alexandre Ramagem não se pronunciaram sobre o indiciamento. Contudo, ambos já haviam negado anteriormente a existência de qualquer esquema ilícito. Carlos Bolsonaro utilizou suas redes sociais para alegar que as ações da PF têm motivações políticas, sugerindo que estão voltadas para influenciar as eleições de 2026.

A Abin optou por não se manifestar oficialmente sobre os indiciamentos. Em abril deste ano, Luiz Fernando Corrêa havia divulgado uma nota afirmando estar disponível para colaborar com as autoridades competentes, oferecendo esclarecimentos tanto no âmbito administrativo quanto civil ou criminal.

jair bolsonaro STF Carlos Bolsonaro ABIN Polícia Federal

Leia também